Crise no abastecimento faz preço do galão de água mais que dobrar no Amapá

Moradores de bairros da capital Macapá relatam dificuldade em encontrar produto à venda e, quando acham, preço está acima do habitual

atualizado 09/11/2020 7:32

Crise no abastecimento faz preço do galão de água mais que dobrar no AmapáHugo Barreto/ Metrópoles

Enviados especiais a Macapá (AP) – É difícil imaginar os nossos dias sem água potável, mas desde a última terça-feira (3/11), quando quase todo o estado do Amapá foi atingido por um apagão, a população amapaense tem dificuldade em acesso ao que é seu por direito.

Desde que a subestação de energia foi atingida por um incêndio, 13 dos 16 municípios do estado registraram falta de luz. A queda de energia afetou também o sistema de abastecimento hídrico do Amapá. Até esse domingo (8/11), faltava água encanada, água mineral e gelo nas cidades.

Mas, quem procura, acha. Infelizmente, mais caro do que o habitual. A reportagem do Metrópoles localizou ao menos três comércios, em diferentes pontos do estado, que registraram alta no preço do galão de água.

Funcionária de um comércio no bairro de Perpétuo Socorro, na capital Macapá, Thays Daniela de Oliveira (fotos em destaque e na galeria abaixo), conta que, antes do apagão, um galão de água de 20 litros era vendido por R$ 6. Agora, o preço mais que dobrou.

“Como a gente compra caro e precisa se sustentar também, sustentar o negócio, a gente acaba vendendo por um preço absurdo e que, infelizmente, tem gente que não consegue comprar”, diz a comerciante. 

Até a manhã desse sábado (7/11), estavam disponíveis para venda no estabelecimento apenas cinco galões de água e, de acordo com Thays, a dona do comércio não pretendia comprar mais, pelo menos por enquanto. 

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Já no bairro de São Lázaro, também em Macapá, Andressa Suany, 22, relatou que o preço de uma garrafa de 1 litro estava custando R$ 10, sendo que, antes do apagão, o preço da garrafa era R$ 3.

“Agora a gente nem compra mais. Até porque já acabou no mercadinho. Hoje, graças a Deus, recebemos uma caixa com garrafas d’água de doação. Deus vai ajudando”, diz a jovem.

De acordo com o governo do estado, o fornecimento de água começou a ser restabelecido nos municípios nesse sábado (7/11). Os moradores, no entanto, garantem que a água fica disponível nas torneiras apenas uma vez por dia e por menos de uma hora.

Segundo o governo, “para suprir a necessidade dos sistemas isolados de água nos bairros na capital e nos municípios, Caesa e Governo do Amapá já providenciam locação de caminhões-pipa, geradores e combustível”.

Veja mais fotos da crise deflagrada pelo apagão no Amapá:

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Início do apagão

Na noite da última terça-feira (3/11), enquanto ocorria uma forte tempestade em Macapá, uma explosão seguida de incêndio atingiu os três únicos geradores de energia de uma subestação da Zona Norte.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, as causas do incêndio ainda são desconhecidas. Uma investigação foi aberta para apurar a responsabilidade.

O fogo danificou um transformador e atingiu os outros dois — um deles já estava inoperante por causa de uma manutenção realizada desde dezembro de 2019.

De acordo com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que está no Amapá desde sábado (7/11) para monitorar de perto a situação, até o final da próxima semana a energia do Amapá deve ser restabelecida totalmente.

“Geradores termoelétricos chegarão nos próximos dias a Macapá para reforçar a segurança energética do estado e também estamos fazendo obras de manutenção na Coaracy Nunes [usina hidrelétrica] para que possa aumentar a carga do estado. Nós vamos restabelecer a energia do Amapá gradualmente. Estamos já próximo a 70%, vamos chegar a 80% e, na próxima semana, a 100%”, afirmou.

Enquanto isso, a Justiça Federal no Estado determinou na noite desse sábado (7/11) que a solução completa para a falta de energia ocorra em até três dias, a partir da intimação, sob pena de multa de R$ 15 milhões para Isolux – companhia responsável pela subestação atingida pelo incêndio.

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