Copom cita política fiscal de Lula como risco para inflação
Em comunicado divulgado na última quarta-feira (17/6), Copom afirma que segue acompanhando o ritmo da política fiscal do governo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sinalizou preocupação com a condução da política fiscal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um dos fatores de risco para a inflação no Brasil.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (17/6), o colegiado destacou que acompanha os desdobramentos fiscais e seus efeitos sobre os ativos financeiros e a política monetária, em um cenário de elevada incerteza.
Decisão do Copom
A avaliação ocorre no mesmo dia em que o BC decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, dando continuidade ao processo de flexibilização monetária. No entanto, apesar do corte, o tom do comunicado indica cautela e reforça que o espaço para novos ajustes dependerá da evolução do cenário inflacionário.
“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, aponta o comunicado.
Segundo o Copom, o ambiente doméstico segue pressionado por expectativas de inflação desancoradas e projeções acima da meta. As estimativas do mercado para 2026 e 2027 estão em 5,30% e 4,10%, respectivamente, ambas acima do centro da meta, que é de 3% ao ano.
O colegiado apontou explicitamente que uma “conjunção de políticas econômicas externa e interna” pode gerar impacto inflacionário maior que o esperado, citando como exemplo um câmbio persistentemente depreciado. Nesse contexto, a política fiscal aparece como um dos principais fatores de risco, especialmente caso estimule a demanda agregada acima do potencial da economia.
Além disso, o Copom alertou para o risco de que estímulos ao consumo possam enfraquecer os canais tradicionais de transmissão da política monetária, dificultando o controle da inflação mesmo em um ambiente de juros elevados.
Ou seja, as medidas lançadas por Lula podem causar aumento de inflação. Segundo levantamento do Metrópoles, em 2026 o pacote de medidas do governo soma R$ 191,4 bilhões, com ações de alcançam desde a população de baixa renda à classe média e empresários.
Medidas lançadas por Lula
- Pacote para conter a alta dos combustíveis, com custo de R$ 33,2 bilhões;
- Crédito para motorista de aplicativo, com custo de R$ 30 bilhões;
- Isenção do Imposto de Renda (IR) para que recebe até R$ 5 mil, com custo de R$ 25,8 bilhões;
- Crédito para caminhoneiro e motoristas de ônibus, com custo de R$ 21,2 bilhões;
- Ampliação do Minha Casa, Minha Vida, com custo de R$ 20 bilhões;
- Ampliação do Plano Brasil Soberano, com custo de R$ 15 bilhões;
- Desenrola 2.0, com custo de R$ 13,2 bilhões;
- Pacote de combate ao crime organizado, com custo de R$ 11,1 bilhões;
- Fim da taxa das blusinhas, com custo de R$ 9,7 bilhões;
- Antecipação do saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com custo de R$ 8,4 bilhões;
- Crédito para entregadores, com custo de R$ 2,5 bilhões;
- Crédito para empresas aéreas, com custo de R$ 1 bilhão;
- Reajuste do Gás do Povo, com custo de R$ 300 milhões.
Além disso, o BC também destacou que o cenário atual é marcado por forte incerteza, tanto no ambiente doméstico quanto externo.
No exterior, pesam as tensões geopolíticas no Oriente Médio, mesmo com a assinatura do acordo de paz, e seus efeitos sobre commodities e condições financeiras globais. Já internamente, a atividade econômica mostra sinais de aceleração no início do ano, com mercado de trabalho resiliente e inflação corrente acima do esperado.
Para o economista-chefe da MAG Investimentos, Felipe Rodrigo de Oliveira, é importante salientar a mudança no balanço de riscos anunciado no comunicado.
“Houve o acréscimo de mais um componente de risco altista para o cenário inflacionário, risco esse relacionado a estímulos à demanda agregada, que gerem crescimento acima do potencial, enfraquecendo os canais usuais de transmissão da política monetária”, disse.

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