Copom vê inflação mais distante da meta e não cita novo corte de juros
Em abril, a previsão do Banco Central para a inflação no quarto trimestre de 2027 era de 3,5%. Agora, ela passou para 3,7% no mesmo período

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), cortou a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, de 14,50% para 14,25% ao ano, nesta quarta-feira (17/6). Com o anúncio da decisão, porém, o mercado ficou no escuro, ao não ter qualquer indicação sobre o que vai acontecer com a Selic na próxima reunião do órgão, em 5 de agosto.
É isso o que mostra o comunicado emitido pelo Copom, no qual ele justificou a redução de 0,25 ponto percentual da taxa. O documento faz uma análise do cenário econômico tanto externo como interno e apresenta os principais riscos para a inflação.
No caso do ambiente externo, a guerra no Oriente Médio já era uma preocupação para os integrantes do Copom, expressa no comunicado do encontro realizado em 29 de abril (que também decidiu por um corte de 0,25 ponto percentual da Selic). A guerra é uma forte fonte de pressão inflacionária.
Acordo EUA-Irã
No documento divulgado nesta quarta-feira, o Copom cita que o quadro externo permanece incerto. Mas, desta vez, destaca que as dúvidas têm como foco os termos do acordo para cessar os conflitos armados na região.
Também há incertezas sobre as consequências dos efeitos já materializados desses confrontos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em um ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities“, diz o comunicado.
Cenário interno
Em relação ao cenário doméstico, afirma o texto, o conjunto dos indicadores do BC mostra uma aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, o que também contribui para pressionar a inflação. Nesse caso são destacados “setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo” e o “mercado de trabalho ainda dando sinais de resiliência”.
Expectativas de inflação
O comunicado destaca ainda que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus (o levantamento realizado pelo BC com economistas do mercado) permanecem em valores acima da meta (de 3% ao ano). Na verdade, as projeções pioraram.
Elas se situam em 5,30%, em 2026, e 4,10%, em 2027. Além disso, a projeção para a inflação do próprio Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, está em 3,7%.
No comunicado anterior, veiculado depois da reunião do Copom de 29 de abril, a inflação para 2026 e 2027 do Focus estava em, respectivamente, 4,9% e 4,0% (como mencionado, está em 5,30% e 4,10%). Também em abril, a projeção do Copom para o horizonte relevante era de 3,5%.
Vale destacar que o “horizonte relevante” mencionado pelo Copom é o período futuro, geralmente de cerca de 18 meses, em que as decisões sobre a taxa de juros devem produzir o efeito máximo na economia e na inflação.
Novos cortes
Em relação aos próximos passos do Copom, ou seja, se o órgão vai manter ou não os cortes da Selic, o comunicado é propositadamente vago. “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”, diz o texto.
Em outro trecho, o documento menciona que o “horizonte relevante” para a próxima reunião do Copom, em agosto, passará a ser o primeiro trimestre de 2028. Nesse ponto, o órgão do BC abre espaço para que trajetórias alternativas de juros possam garantir a convergência da inflação para a meta.

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