COP29: ONGs cobram Brasil na linha de frente da crise climática
ONGs sustentam que o país também deve equacionar distribuição de recursos e apresentar planos detalhados de execução dos objetivos na COP29

A 29ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP29), que ocorre entre os dias 11 e 22 deste mês em Baku, Azerbaijão, contará com a presença de ONGs que vão defender metas mais ambiciosas na área ambiental.
As instituições sustentam que o Brasil deve liderar pelo exemplo. Elas defendem que o Brasil aumente as ambições de redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE), abandone a exploração de petróleo e construa um plano detalhado para a eliminação do uso de combustíveis fósseis, entre outros pontos.
A proposta é que o Brasil apresente, em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), um cronograma claro de eliminação de petróleo e gás, com metas de redução de emissões mais ousadas, alinhadas às recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que sugere cortes de 60% em relação aos níveis de 2019.
Em entrevista ao Metrópoles, Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas da WWF Brasil, ressaltou que o financiamento climático será um dos eixos da atuação da organização na COP29.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo ele, a WWF pressiona para que os recursos internacionais direcionados ao Brasil sejam substanciais e aplicados em iniciativas de redução de carbono e preservação ambiental.
A promessa atual dos países desenvolvidos é de US$ 100 bilhões anuais em apoio às nações em desenvolvimento, mas organizações argumentam que esse valor deveria ser expandido para ao menos US$ 1 trilhão, dadas as crescentes demandas por ações climáticas urgentes e o impacto das mudanças climáticas nas economias em desenvolvimento.
No caso específico do Brasil, Prado afirma que o financiamento deve incluir recursos dedicados ao combate ao desmatamento e à preservação da Amazônia, uma área-chave para o cumprimento das NDCs brasileiras.
Ele destaca que o sucesso no combate ao desmatamento, além de reduzir emissões, fortalece a imagem do país na arena climática global, preparando o terreno para que o Brasil seja referência na COP30.
Além do financiamento climático para o desuso dos combustíveis fósseis, um tema de destaque na conferência será o fundo de “perdas e danos”, destinado a apoiar a recuperação de regiões afetadas por eventos climáticos extremos.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasNo Brasil, casos como os recentes desastres no Rio Grande do Sul são exemplos da urgência de um fundo que ajude as comunidades afetadas a se reerguerem. Prado observa que é essencial definir com clareza como os recursos de perdas e danos serão disponibilizados, seja na forma de doações, créditos ou investimentos.
“Esse é o tipo de conversa que teremos lá em Baku. É super importante acordar isso [a alocação dos recursos], como vai ser, qual é o valor que está sendo colocado na mesa”, comenta.
Metas mais ambiciosas e detalhadas na COP29
O Greenpeace, que também estará presente em Baku, defende que o Brasil apresente um compromisso mais explícito em suas NDCs para eliminar o uso de combustíveis fósseis, com prazos detalhados e definição das fontes de financiamento.
A organização propõe que parte dos fundos destinados ao Brasil contemple investimentos em energias renováveis e uma transição justa para as populações que dependem das atividades de petróleo e gás.
Outro ponto levantado pela organização é a inclusão dos povos indígenas como beneficiários diretos de parte dos recursos internacionais. O Greenpeace argumenta que esses grupos desempenham um papel fundamental na proteção das florestas e na mitigação das mudanças climáticas, sendo essencial que sejam incluídos nos esforços e financiamentos para preservação ambiental.
O Observatório do Clima também se posicionou a favor de metas mais ambiciosas para o Brasil. Em seu mais recente relatório, o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (Seeg) 2023, a organização sugere que o Brasil adote um corte de 92% nas emissões líquidas até 2035.
Embora o país tenha registrado, em 2024, a maior queda nas emissões em 15 anos, com uma retração de 12%, o secretário-executivo do Observatório, Marcio Astrini, alerta que é necessário “ambição e ousadia” para que o Brasil assuma uma liderança de fato.
“O Brasil precisa avançar além dos números recentes de desmatamento e adotar metas que o coloquem em um novo patamar na agenda climática”, afirma Astrini.















