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Brasil

Contra efeito Nikolas, Câmara deve avançar em voto distrital misto. Entenda

Partidos articulam votar a reforma em novembro, com mudanças no sistema eleitoral para conter o peso de candidatos como o deputado mineiro

16/10/2026 04:30
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados e Marina Ramos/Camara dos Deputados
Nikolas Ferreira e Hugo Motta

A Câmara dos Deputados deve avançar nas discussões para mudar o sistema eleitoral brasileiro. Partidos de centro e do Centrão articulam a construção de um texto para ser votado ainda em novembro, antes da posse dos novos deputados, em fevereiro de 2027.

A principal preocupação dessa ala é o desempenho de candidatos como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanatto (PL-SP), que concentraram milhões de votos e ajudaram a eleger dezenas de candidatos do mesmo partido.

Uma das alternativas em discussão é o voto distrital misto, modelo que combina a eleição de deputados por regiões com a distribuição de cadeiras por meio dos votos recebidos pelos partidos. A proposta busca aproximar os parlamentares dos eleitores e alterar a dinâmica de distribuição das vagas na Câmara.

A articulação foi discutida nesta semana com partidos de centro que fecharam apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a Câmara dos Deputados no ano que vem.

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O grupo reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos, além da representação da federação Solidariedade-PRD. O acordo fortalece Motta, mas ainda será necessário transformar o compromisso das lideranças em votos dos deputados.

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Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, os presidentes do PSDB, Aécio Neves, e do PSD, Gilberto Kassab, foram os que fizeram a defesa mais enfática da mudança do sistema eleitoral.

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Hugo Motta (Republicanos-PB)
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Hugo Motta (Republicanos-PB)

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Hugo Motta (Republicanos-PB)
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Hugo Motta (Republicanos-PB)

Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova

Como funciona o voto distrital misto?

O modelo combina dois formatos: parte dos deputados é eleita por distritos eleitorais, áreas geográficas que escolhem seus próprios representantes, e outra parte é definida proporcionalmente aos votos recebidos pelos partidos.

A proposta pode aproximar deputados de suas regiões, mas também favorecer candidatos com bases eleitorais concentradas. O efeito sobre os puxadores de votos dependerá das regras e da proporção de cadeiras destinadas a cada modalidade.

Por que mudar o sistema?

A discussão ganhou força após o avanço do PL nas eleições de 2026. Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato (PL-SP) receberam mais de 3 milhões de votos cada um, contribuindo para ampliar a representação da legenda na Câmara.

O PL chegará à próxima legislatura com 121 deputados federais, sua maior bancada desde 1990. Já a federação União Brasil-PP cairá de 97 para 87 parlamentares.

Para partidos do Centrão, o atual sistema permite que candidatos muito populares ampliem a bancada de suas legendas. A mudança, portanto, também tem impacto direto na disputa por espaço e poder dentro da Câmara.

Lista aberta ou fechada?

No Brasil, o sistema atual é de lista aberta: o eleitor escolhe diretamente um candidato, e as vagas conquistadas pelo partido ficam com os mais votados, conforme as regras eleitorais.

Na lista fechada, o eleitor vota no partido, que define previamente a ordem dos candidatos. O modelo fortalece as legendas, mas amplia o poder das direções partidárias na escolha dos eleitos.

E o distritão?

Outra alternativa é o distritão, em que os candidatos mais votados individualmente conquistam as vagas, sem ajudar a eleger colegas de partido. O formato pode beneficiar políticos populares, mas dificultar a representação de partidos menores.

A ideia exige uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada por pelo menos 308 deputados em dois turnos. Já o voto distrital misto é tratado por parte dos articuladores como uma alternativa possível por meio de Projeto de Lei (PL).

Atualmente, já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara um projeto que implanta o voto distrital misto. A proposta é relatada pelo deputado federal Domingos Neto (PSD-CE), que participou do almoço com Motta e os dirigentes partidários.