Como crise com Alcolumbre impacta fim da 6×1 e pautas do governo

Desgaste entre o governo Lula e o presidente do Senado se acentuou com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF

atualizado

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1 de 1 lula-e-alcolumbre-2 - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

A rejeição do ministro Jorge Messias para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um novo capítulo na crise entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Aliados do petista atribuem ao titular da Casa Alta a culpa pela derrota histórica sofrida pelo governo na última quarta-feira (29/4).

A cerca de cinco meses para as eleições, o desgaste na relação arrisca impactar pautas prioritárias para a reeleição de Lula. É o caso da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, a chamada PEC da Segurança Pública. O Executivo tem apostado no discurso de combate à criminalidade e vê o texto como uma vitrine para reforçar a atuação na área.

A proposta, no entanto, segue parada no Senado quase dois meses após ser aprovada pela Câmara dos Deputados. Desde 10 março, o texto aguarda o despacho de Alcolumbre para definir o relator e a forma como vai tramitar na Casa.

A PEC da Segurança prevê uma maior integração entre as forças da União, dos estados e do Distrito Federal, além de colocar na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública. A expectativa do Planalto era aprovar a matéria ainda no primeiro semestre, garantindo espaço para explorar o tema eleitoralmente. Mas diante do cenário conturbado, não há previsão de que a proposta volte a caminhar.

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Davi Alcolumbre selou aliança com a oposição no Congresso
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Alcolumbre e Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo no Congresso
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Alcolumbre e Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo no Congresso

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Davi Alcolumbre selou aliança com a oposição no Congresso
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Fim da jornada 6×1

Outra bandeira do governo é a proposta para acabar com a jornada de trabalho 6×1 — em que se trabalha seis dias e descansa um. O fim do modelo está em discussão na Câmara dos Deputados por meio de uma PEC que, se aprovada, será analisada pelo Senado. O Planalto também enviou um projeto de lei alternativo, em regime de urgência, para acelerar a tramitação.

Na avaliação de aliados, é pouco provável que os senadores se oponham à pauta por se tratar de um tema altamente popular e tendo em vista a disputa eleitoral, mas no Planalto há um receio sobre o enfraquecimento do texto.

A Câmara discute a possibilidade de implementar uma regra de transição que pode chegar a até quatro anos. Essa hipótese tende a ser rejeitada pelo governo. O diagnóstico é que o Executivo está aberto a negociar a transição, desde que se limite a alguns casos, a exemplo de pequenos empresários e outros setores mais impactados pela mudança. Há ainda pontos considerados inegociáveis. São eles: teto de 40 horas semanais, jornada 5×2, e sem redução de salário.

O temor de eventuais mudanças foi um dos motivos que levaram o governo a encaminhar um texto próprio para ser avaliado pelo Congresso. Isso porque a PEC, uma vez aprovada pelos parlamentares, não passa pelo aval do presidente — diferente do projeto de lei, que precisa de sanção. Na prática, a PEC tira o poder de Lula de vetar trechos que possam ser considerados prejudiciais.


Derrota histórica

  • Na quarta-feira, o governo Lula sofreu uma derrota histórica com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF.
  • A última vez que o Senado barrou a indicação de um presidente à Corte foi em 1894, durante o mandato de Floriano Peixoto.
  • A derrota ocorreu após cinco meses do anúncio da indicação. O petista adiou o envio da mensagem ao Senado por receio de que o nome fosse reprovado pelos parlamentares.
  • Messias chegou a ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado com uma margem apertada: 16 votos, dois a mais do que o necessário.
  • Agora, Lula deve avaliar se enviará um novo nome para preencher a cadeira deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso na Suprema Corte.

Crise com o Senado

Indicado de Lula ao STF, Jorge Messias foi rejeitado pelo plenário da Casa Alta por 42 votos a 34. O resultado contrariou a expectativa do governo, que apesar de sinalizar uma margem apertada para aprovação, não previu uma derrota tão acachapante.

Até o momento, o presidente não reagiu ao revés. Uma ala do governo defende retaliar com a demissão de chefes de órgãos públicos indicados por Alcolumbre e parlamentares que votaram contra o atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). Outro grupo avalia que é necessário aguardar os ânimos se acalmarem antes de anunciar uma resposta.

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