Com menor umidade do Brasil, Goiânia registra índices de deserto do Saara

Capital atingiu nessa segunda-feira (13/9) apenas 8% de umidade do ar, a menor do país. Abaixo de 12% é considerada situação de emergência

atualizado 14/09/2021 12:55

baixa umidade do ar em goiânia, goiásVinícius Schmidt/Metrópoles

Goiânia – A umidade relativa do ar em Goiânia, nesta segunda-feira (13/9), chegou a níveis equiparáveis e até menores que o de desertos famosos ao redor do mundo, como o Saara, na África, e o Atacama, no Chile.

Com apenas 8% de umidade, durante o período entre 14h e 17h, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a capital registrou nas últimas 24 horas o seu menor índice do ano, até então, e aparece como líder do ranking nacional das menores taxas de umidade.

Cidades no deserto do Saara, como Merzouga, no Marrocos, e Timbuktu, no Mali, registram umidade entre 16% e 20%, nesta terça-feira. Menor que o índice de Goiânia só em Timimoun, na Argélia, com 7%.

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No Atacama, famoso não só pelas belezas naturais, mas também pelas condições mínimas de umidade, locais como São Pedro do Atacama e Calama estão com umidade entre 13% e 15%.

Para os parâmetros da climatologia, índices abaixo de 12% configuram situação de emergência e motivam alertas de atenção máxima, devido ao contexto de “grande perigo” de desenvolvimento de sintomas e doenças respiratórias.

Estado na liderança

Goiás vem liderando as taxas mínimas de umidade no Brasil neste mês, como costuma ocorrer a cada ano, durante setembro.

Com o acirramento da estiagem – as últimas chuvas prolongadas no estado e na capital ocorreram em abril -, o clima seco e as altas temperaturas atingem o pico nesta época e formam um bloqueio forte para a aproximação de frentes frias e correntes de ar.

“É uma umidade de deserto, com certeza. É essa mesma condição que é sentida por quem vive nesses locais (Saara, Atacama, etc.)”, afirma a chefe do Inmet em Goiás e Tocantins, Elizabete Alves Ferreira.

Situação sentida por horas

O que chamou a atenção de Elizabete na situação vivenciada nesta segunda foi o prolongamento do contexto de emergência em Goiânia. A taxa de 8% de umidade, na capital, é a menor da história, mas vem sendo registrada anualmente desde 2014.

“Essa taxa de 8%, por exemplo, era algo momentâneo, nos últimos anos, de 1 hora somente e logo melhorava, mas ontem não foi. Foi a tarde inteira, com clima de deserto por um período grande do dia”, pondera ela.

Nessa segunda, os registros abaixo de 12% de umidade do ar na cidade começaram às 12h e duraram até as 21h. A situação mais confortável, com umidade acima dos 40%, só foi sentida às 3h desta terça-feira (14/9).

Entre as cinco cidades com menores taxas de umidade, além de Goiânia na liderança, aparecem Alvorada do Gurguéia (PI), com 9%, Gama (DF) e Silvânia (GO), com 10%, e Campina Verde (MG), com 11%.

Risco de incêndios

A Defesa Civil de Goiás emitiu alerta de risco alto para baixa umidade, nesta terça-feira, com risco de incêndios florestais e à saúde.

Nesta época, ocorre o período conhecido como 30/30/30: temperaturas acima de 30ºC, umidades do ar abaixo de 30% e ventos com velocidade acima de 30 nós, ou seja, acima de 55 Km/h. É uma conjunção favorável à proliferação e velocidade das chamas do fogo.

Há três dias, bombeiros e brigadistas tentam conter incêndios na Chapada dos Veadeiros. O fogo que começou no Vale da Lua, em Alto Paraíso, no domingo (12/9), chegou a ter um linha de extensão de mais de 10 km.

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