Clima: friozinho avança pelo Sul do país e Norte tem calorão; confira

Um ciclone extratropical, que embora já se encontre em processo de enfraquecimento, retém energia suficiente para injetar instabilidades

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O clima no território brasileiro ganha novos contornos nesta terça-feira (9/6), com o avanço de nova frente fria. Um ciclone extratropical, que embora já se encontre em processo de enfraquecimento em alto-mar, retém energia suficiente para injetar instabilidade sobre o Sul do país.

O deslocamento dessa massa de ar instável promete romper o padrão de calmaria em estados vizinhos, provocando aumento gradual de nebulosidade em São Paulo e concentrando pancadas de chuva no Centro-Oeste brasileiro.

Na Região Sul, o dia amanhece sob o impacto de núcleos de chuva que castigam, desde as primeiras horas, o norte e o litoral do Rio Grande do Sul, além da região da Costa Doce. No decorrer da manhã, as instabilidades ganham corpo e avançam de forma moderada a localmente forte sobre a totalidade de Santa Catarina e as faixas sul, sudoeste e oeste do Paraná.

Embora a tendência sinalize perda de força das precipitações durante a tarde em solo gaúcho e catarinense, os termômetros devem registrar declínio acentuado até a noite devido à entrada de massa de ar frio na retaguarda do sistema, acompanhada de rajadas de vento de até 50 km/h.

No Sudeste, o panorama geral ainda é de estabilidade, mas o reflexo das mudanças sulistas já começa a ser sentido em São Paulo. O céu paulista experimenta aumento paulatino de nuvens, concentrado principalmente nos setores oeste e sul do estado, embora os meteorologistas descartem a ocorrência de volumes expressivos de chuva no curto prazo.

Enquanto isso, o sol brilha entre nuvens no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e em Minas Gerais, mantendo as madrugadas frias nas serras. O grande destaque de segurança física fica por conta da baixa umidade, que desce a níveis críticos de 30% no Triângulo Mineiro e norte de São Paulo, com potencial para formação de geada nos picos da Serra da Mantiqueira.

A influência dessa frente fria se estende de forma pontual à Região Centro-Oeste, alterando o padrão climático de Mato Grosso do Sul. A combinação entre o sistema frontal e uma área de baixa pressão atmosférica posicionada sobre o Paraguai cria um canal de umidade que deságua no sul e sudoeste do estado sul-mato-grossense, gerando nuvens carregadas, trovoadas e pancadas moderadas a fortes.

Em contrapartida, o Distrito Federal, Goiás e a maior parte de Mato Grosso permanecem sob o domínio de um bloqueio seco, com tardes ensolaradas, calor e índices alarmantes de secura no ar.

No Nordeste, o cenário se divide nitidamente entre o litoral úmido e o interior árido. A circulação de ventos marítimos mantém o transporte de umidade constante para a costa leste, intensificando as chuvas entre o Rio Grande do Norte e Alagoas ao longo do dia, com alerta rigoroso para temporais isolados entre a capital potiguar e o litoral norte de Pernambuco.

Por outro lado, o sertão nordestino segue alheio às instabilidades costeiras, registrando umidade relativa do ar abaixo dos 30% na metade oeste da Bahia e faixas centrais do Piauí e do Maranhão, sob forte calor e ventos persistentes.

Mais ao Norte do país, o motor climático é alimentado pela combinação clássica de altas temperaturas, umidade abundante da floresta e a presença ativa da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

Engrenagem termodinâmica

Essa forte engrenagem termodinâmica favorece a formação de tempestades principalmente entre a tarde e a noite, espalhando alertas de temporais com descargas elétricas e rajadas de vento sobre Roraima, Amapá, Acre, grande parte do Amazonas e metade norte do Pará. O abafamento severo dita o ritmo da rotina dos moradores na maior parte da bacia amazônica.

Por fim, a porção meridional e oriental da Região Norte consegue se blindar do canal de umidade, garantindo uma terça-feira de tempo firme e predomínio de sol no Tocantins e no sul e leste do território paraense.

O calor intenso, contudo, mantém a sensação de desconforto térmico elevada nessas áreas. A principal recomendação das autoridades de saúde foca no estado do Tocantins e no extremo sudeste do Pará, regiões que sofrem o reflexo direto da massa de ar seco do Brasil Central e devem registrar índices de umidade do ar abaixo do limite saudável de 30% nas horas mais quentes do dia.

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