CEO da Quaest: menor pressão da inflação e reação a taxas ajudam Lula

Levantamento divulgado nesta quarta-feira (20/8) mostrou um segundo aumento consecutivo na aprovação de Lula, que alcançou 46%

atualizado

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Divulgação/Presidência da República
Imagem colorida de Lula com boné onde se lê o Brasil é dos brasileiros
1 de 1 Imagem colorida de Lula com boné onde se lê o Brasil é dos brasileiros - Foto: Divulgação/Presidência da República

Ao analisar a Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (20/8), o cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, apontou que o aumento da aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é influenciado pela queda na inflação dos alimentos e pela reação ao tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

O levantamento mostrou um segundo aumento consecutivo na aprovação de Lula, que alcançou 46%. O número anterior, referente a julho deste ano, era de 43%.

“A percepção do comportamento do preço dos alimentos trouxe alívio às famílias e reduziu a pressão sobre o custo de vida. Ao mesmo tempo, a postura firme de Lula diante do tarifaço imposto por Donald Trump foi vista como sinal de liderança e defesa dos interesses nacionais. Menos pressão inflacionária somada à imagem de um presidente que reage a desafios externos ajudam a explicar o avanço de sua aprovação neste momento”, avaliou o CEO da Quaest.

Mesmo com a melhora na aprovação, a desaprovação do chefe do Executivo ainda a supera: 51% dos entrevistados desaprovam o presidente. No levantamento anterior, o percentual era de 53%. Em maio, a desaprovação chegou a 57%.

Segundo a pesquisa, a percepção de que houve alta no preço da comida recuou de 76% em julho para 60% em agosto. Para 20% dos entrevistados os preços ficaram iguais e para 18%, caíram (eram 8% em julho).

Como consequência, a opinião de que o poder de compra é menor do que há um ano recuou de 80% para 70%. A expectativa do cenário econômico para os próximo meses, que antes estava negativo, agora está dividido: 40% acham que o panorama vai piorar e 40%, que vai melhorar.

Em relação ao tarifaço, o levantamento apontou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) têm condutas com maior reprovação do que as de Lula.

Perguntados se o ex-presidente estava agindo bem ou mal diante das tarifas impostas ao Brasil pelos EUA, 55% responderam mal e 24%, bem, ante 21% que não souberam opinar ou não responderam. Os mesmos percentuais foram atribuídos a Eduardo.

Em relação a Lula, 46% consideram que o presidente age mal em relação ao tarifaço e 44% qualificam a conduta como boa. Outros 10% não souberam ou não responderam.

Tarifaço e família Bolsonaro

As taxas para os produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos, via importação, foram impostas em abril deste ano pelo presidente norte-americano. No entanto, em agosto, o percentual foi elevado para 50%. Ficaram de fora quase 700 produtos nacionais.

Eduardo Bolsonaro está nos EUA desde fevereiro deste ano. Ele tem atuado junto a autoridades norte-americanas para denunciar supostas violações de direitos fundamentais no Brasil, sobretudo contra o pai.

A pesquisa apontou que 69% dos entrevistados consideram que o deputado defende interesses próprios e da família Bolsonaro em sua atuação no norte-americano. Para 23%, Eduardo atua em prol dos interesses do Brasil.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a abertura de um inquérito para apurar a conduta de Eduardo para impor sanções a autoridades brasileiras. O governo atribui as dificuldades que o Brasil tem para negociar as taxas com os EUA à atuação de Eduardo naquele país.

A pesquisa

A pesquisa Quaest foi realizada do dia 13 ao dia 17 de agosto deste ano nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Foram realizadas 12.150 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança divulgado é de 95%.

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