Celina Leão defende que setor privado vacine família do funcionário

"Ou vacina apenas o trabalhador e doa 50% ao SUS, ou imuniza o trabalhador e familiares, e não precisa doar 50%", disse em entrevista

atualizado 01/04/2021 20:22

Celina LeãoWill Shutter/ Câmara dos Deputados

Relatora do Projeto de Lei 948/2021, a deputada Celina Leão (PP-DF) defendeu o texto, em entrevista ao Metrópoles, nesta quinta-feira (1º/4). Para a deputada, caso empresários comprem a vacina contra a Covid-19 e imunizem familiares de primeiro grau do quadro de funcionários, não deve ser obrigatória a doação de 50% das doses ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“Nós fizemos uma ação na Câmara de aprovar a compra da vacina no privado. Mas o privado só poderia comprar depois que o grupo prioritário fosse imunizado, e isso está demorando, o que traz uma frustração muito grande”, explicou. “Colocamos mais um inciso: ou o empresário vacina o trabalhador e doa 50% ao SUS, ou vai vacinar o trabalhador e sua família, e não teria que doar 50%. Tem empresários que gostariam de vacinar não só o seu funcionário, mas sua família, de forma controlada pelo Ministério da Saúde”, disse a deputada federal, em entrevista ao jornalista Caio Barbieri.

O PL de Celina Leão vai contra o texto aprovado pelo Senado Federal, em 24 de fevereiro, de que a iniciativa privada deverá doar ao SUS todas as vacinas adquiridas enquanto não terminar a imunização dos grupos prioritários previstos no Plano Nacional de Imunização do Ministério Saúde.

“Esses laboratórios [que já vendem vacinas ao Brasil] têm contrato de exclusividade com o governo federal e só podem fazer a venda para a iniciativa privada quando o grupo prioritário estiver imunizado. A gente não interfere nas compras que já foram feitas. A gente espera que o privado vá buscar isso com uma rapidez que o governo federal não consiga fazer. A informação que recebemos é que os quatro laboratórios que entregam no país afirmaram que não vão vender para a iniciativa privada. Isso nos deu tranquilidade para manter o projeto, para não ter concorrência entre o privado e o público.”

O projeto que prevê a compra de imunizantes por empresas privadas é de autoria do deputado Hildo Rocha (MDB-MA). Celina garantiu que o texto foi “completamente” modificado.

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Segundo a parlamentar, o Projeto de Lei pode ser votado na próxima semana no Colégio de Líderes da Câmara dos Deputados. A deputada garante que a maioria dos colegas é favorável ao projeto.

“Vamos levar ao Colégio de Líderes esse tema na semana que vem. E se não tivermos acordo, a intenção do [Arthur] Lira é levar ao plenário. Acredito que isso deve acontecer semana que vem. Temos que tirar o Brasil da polarização em cima do vírus. A minha vontade é que esse projeto fosse aprovado por unanimidade, sei que é difícil, mas a minha percepção é que a maioria é favorável”, afirmou.

Imposto de renda

Nessa quarta-feira (31/3), o projeto de lei também retirou a isenção de impostos sobre a compra de vacinas pela iniciativa privada. Segundo Celina, a ideia é que a compra de vacinas por parte da iniciativa privada seja para acelerar a vacinação no Brasil.

“Estamos falando de uma doença contagiosa. Quando se aumenta o número de pessoas imunizadas, diminui o risco de contágio. Não é justo o trabalhador, que sai todos os dias, que não pode se dar ao luxo de fazer o lockdown, não ter a vacina se o empregador quer pagar por isso. O projeto é para somar, não tem disputa com o SUS, por isso tiramos essa questão do imposto de renda, para não ter recurso financeiro”, explicou.

“A economia está parada com o lockdown e o desemprego. Fica muito mais barato comprar a vacina, distribuir, manter a economia e salvar milhares de vida do que esperar uma fila que ninguém sabe qual é o cronograma”, completou.

A seguir, assista ao Metrópoles Entrevista com Caio Barbieri:

 

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