Caso Master: PF mapeia empresas ligadas a enteado de Jaques Wagner
Relatório produzido pela Polícia Federal mapeia seis empresas ligadas a Guilherme Sodré em inquérito que apura desvios do Banco Master

Relatório da Polícia Federal (PF) mapeou seis empresas ligadas a familiares do senador Jaques Wagner (PT-BA) em inquérito que apura desvios relacionados ao Banco Master.
O parlamentar petista entrou no radar da PF após a suspeita de ter recebido vantagens indevidas dos gestores do Master em troca de atuação parlamentar favorável à instituição financeira.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasA PF sustenta que, para evitar rastro ou ligação direta com o beneficiário, parte dessas vantagens foi transferida por meio de empresas, fundos de investimento e terceiros ligados aos investigados, como é o caso do apartamento adquirido a mando de Augusto Lima para usufruto de Jaques Wagner.
Nesse sentido, seis empresas ligadas, direta ou indiretamente, a Eduardo Mendonça Sodré Martins, que é enteado de Jaques Wagner, entraram no radar da PF. A principal é a BN Financeira, com sede na Bahia. O empreendimento tem como sócia Bonnie Toaldo de Bonilha, que é casada com Eduardo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDe acordo com a PF, durante análise do celular de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, foi identificada série de diálogos com o enteado de Jaques Wagner referente a “obrigações financeiras assumidas pelo ex-banqueiro perante a BN Financeira“.
“No contexto das investigações, ao se analisar as cobranças de valores feitas por Eduardo Sodré a Augusto Lima, se verifica que o banqueiro estava vinculando a realização de tais pagamentos ao sucesso na operação financeira almejada pelos empresários ligados ao grupo Master“, diz a PF.
Os investigadores identificaram pagamento de R$ 3,5 milhões feito a BN Financeira após intensa cobrança pelo pagamento do enteado de Wagner a Augusto Lima.
O pagamento, de acordo com os arquivos identificados pela PF, teve origem na empresa PKL One Participações, que operava o produto CredCesta — a empresa PKL One era dirigida por Andrea Lima Novaes, prima de Augusto.
Núcleo de empresas
A PF identificou ainda outras cinco empresas ligadas a familiares de Wagner – entre as quais, a BN Representações, que chamou a atenção dos investigadores pela profunda mudança que passou nos últimos anos.
Originalmente constituída em 2019 como Vamos Florir Comércio de Flores, voltada para comércio varejista de plantas e flores naturais, a empresa foi fundada por Eduardo Sodré e a esposa, Bonnie Toaldo, que eram sócios igualitários no empreendimento.
Em janeiro deste ano, a empresa passou por reestruturação e mudou o nome para BN Representações Tecnológicas, deixando de atuar no seguimento de flores para desenvolver atividades ligadas à área de tecnologia da informação.
Eduardo Sodré também aparece como sócio em outra empresa, a Moises Dantas, Rocha e N’atharde Advogados Associados. Além do enteado de Jaques Wagner, a empresa tem em seu quadro societário Moises Dantas — que também aparece como sócio da BN Financeira — e seu irmão, Elivaldo Rocha dos Santos Filho, e Diogo N’atharde Celestino De Melo Oliveira.
Pai e filho
O enteado de Jaques Wagner aparece como sócio da Sodré Martins Serviços Administrativos, que também tem seu pai, Guilherme Sodré Martins, no quadro societário. Guilherme também é sócio da empresa GF4.15 Participações e Consultoria, que tem sede em São Paulo.
Guilherme é identificado em mensagens interceptadas no celular de Augusto Lima como “Tio Guiga“. De acordo com a Polícia Federal, os primeiros contatos entre Jaques Wagner e Daniel Vorcaro foram intermediados por Guilherme — Guiga e Jaques Wagner se tratam ainda, de acordo com a investigação, como melhores amigos.
As diligências policiais revelam ainda uma série de contatos que demonstra proximidade entre Guiga e Vorcaro.
A PF também traça correlação entre ligações e contatos entre Vorcaro, Augusto Lima, Jaques Wagner e Guilherme Sodré e discussões institucionais de interesse do Banco Master, como a tentativa de venda ao Banco BRB.
Em conversa interceptada pela PF no celular de Daniel Vorcaro, o banqueiro afirma a um jornalista que Wagner, além de outros nomes do alto escalão do Executivo, será a favor da venda do Master ao BRB.
“A correlação entre esse posicionamento favorável à aquisição do Banco Master pelo BRB e as cobranças de Eduardo Sodré a Augusto Lima pelo pagamento pendente à BN Financeira, em cujo contexto Augusto Lima chegou a vincular expressamente a dificuldade financeira à decisão do Banco Central de rejeitar a compra do Master pelo BRB (“deve ter visto o que aconteceu né?”), permite inferir, em juízo indiciário, que o apoio político do Senador à operação e os repasses financeiros ao seu núcleo familiar integravam circuito único de contrapartidas recíprocas”, diz PF em trecho da peça enviada ao STF.









