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Manoela Alcântara

PF diz que Jaques Wagner ofereceu gabinete para reunião "protegida e discreta"

Mensagens obtidas mostram senador sugerindo o gabinete por ser o local "mais protegido e discreto" para reuniões com gestores do Master

30/07/2026 22:11, atualizado 30/07/2026 22:44
LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA)

A Polícia Federal (PF) afirma que o senador Jaques Wagner (PT-BA) usava o próprio gabinete no Senado como local de encontros com gestores do Banco Master.

As informações constam em um documento tornado público após o ministro André Mendonça, relator do inquérito do caso Master, derrubar o sigilo da investigação que apura as possíveis ligações do senador com o banco.

De acordo com a PF, os elementos foram encontrados no aparelho celular de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

Os investigadores encontraram mensagens trocadas entre Jaques Wagner e Augusto para marcar encontros no gabinete do parlamentar, no Senado.

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Há registros de ao menos dois encontros, em 30 de abril e 27 de agosto de 2024. A PF também localizou mensagens sobre uma reunião prevista para 19 de abril daquele ano, que acabou não ocorrendo.

Em outra conversa, na noite de 29 de abril, Jaques e Augusto discutem os detalhes do encontro marcado para o dia seguinte. Às 22h18, segundo a PF, o senador explica em áudio como a reunião ocorreria e sugere que o gabinete fosse o local mais seguro, afirmando que o encontro teria a participação do advogado-geral da União, Jorge Messias.

“Ô Guga [Guga Lima, apelido de Augusto], eu falei com o [Jorge] Messias agora e o presidente [Lula] infelizmente chamou ele amanhã um pouco por causa dessas confusões. Então ele pediu se poderia ser horário de almoço. Eu continuo achando que o melhor lugar pra fazer seria no meu gabinete, que é o mais protegido e discreto pra todo mundo”, diz Jaques.

“Para ele é natural tá lá, você [Augusto] já teve várias vezes lá com André [Kruschewsky], então não teria tanta atenção chamada. Até porque eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo e você não precisa nem passar pela identificação”, continua o senador.

Segundo a PF, o encontro de 30 de abril teve como objetivo alinhar interesses estratégicos e regulatórios do Banco Master. Apesar de citado nas mensagens, não há confirmação de que o AGU tenha participado da reunião.

Em resposta ao Metrópoles, Messias negou ter participado da reunião. “Nunca estive em reunião com o Senhor Lima no Gabinete do Senador Jaques Wagner no Senado”, afirmou.

Já a reunião de 27 de agosto tratou da PEC nº 65/2023, conhecida como “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). A proposta tratava de mudanças no funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tema de interesse de Vorcaro, além da venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

Investigações

Segundo a PF, Jaques Wagner embarcou em aeronaves controladas por Vorcaro e por seu sócio, Augusto Ferreira Lima, como parte de um suposto padrão de recebimento de vantagens indevidas.

De acordo com a investigação, o senador utilizava as aeronaves privadas gratuitamente, sem qualquer registro de pagamento ou contraprestação. A PF aponta que os voos não estavam associados à prestação de serviços, mas ao cargo exercido pelo parlamentar.

A investigação também sugere que a cessão das aeronaves ocorria dentro de uma lógica de “contrapartidas recíprocas”. Segundo a PF, o senador teria exercido o mandato de forma alinhada aos interesses econômicos do Banco Master em pautas legislativas e temas regulatórios.