Caso Master: CVM nega omissão e diz ter aberto mais de 200 processos

Presidente afirmou que o órgão tem registros de apurações contra banco de Daniel Vorcaro desde 2017. Declaração se deu em comissão do Senado

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Saulo Cruz/Agência Senado
O presidente interino da CVM, João Accioly, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
1 de 1 O presidente interino da CVM, João Accioly, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. - Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, negou nesta terça-feira (24/2) qualquer omissão do órgão em investigar irregularidades e fraudes no Banco Master. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Accioly afirmou que a CVM mira a instituição de Daniel Vorcaro desde 2017. Segundo ele, mais de 200 processos foram abertos para apurar anomalias no banco.

Questionado sobre uma suposta demora da CVM em agir contra o Banco Master, o dirigente listou aos senadores uma série de inquéritos abertos pela CVM e declarou que diversas comunicações de irregularidades foram enviadas ao Ministério Público e a outros órgãos, como a Receita Federal.

“A gente começou a mapear a era ligada ao Vorcaro. Desde 2017, tem comunicações, comunicações que são feitas quando áreas de fiscalização identificam o que parece irregularidade. Já identificamos mais de 200 processos abertos. Vamos apurar o que foi feito em cada um”, disse.

 Accioly declarou aos senadores que a única omissão da CVM foi em não ter “divulgado” o que já havia sido feito pelo órgão. O responsável pela comissão argumentou, contudo, que “algumas coisas não foram feitas pelo desenho institucional”, mas defendeu uma ampliação das competências da CVM.

O presidente interino do órgão, que é responsável por fiscalizar o mercado de capitais, ponderou também que investigações poderiam ter andado com mais rapidez, mas a falta de recursos humanos diminuiu a velocidade dos processos.

“A CVM tem falta de recursos humanos que permitiriam que os processos andassem mais rápidos. Não é que não fez nada. Ela fez vários processos, está fazendo. [Mas] alguns poderiam ser mais rápidos”, declarou.

A CVM criou, no início deste mês, um grupo de trabalho para analisar as informações técnicas relacionadas ao Grupo Master.

Segundo o órgão, o colegiado terá a missão de “sistematizar fatos, processos e informações, com vistas ao aprimoramento do diagnóstico institucional”. Também caberá ao grupo, que funcionará até o final de fevereiro, a sugestão de “melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional”.

Accioly afirmou que, no âmbito do grupo, serão analisados todos os processos ligados ao Master. Segundo ele, dentre as duas centenas de apurações, 24 tratam da negociação e de possíveis fraudes na tentativa de venda do banco de Vorcaro ao Banco de Brasília (BRB).

O presidente da CVM, que assumiu interinamente o órgão em dezembro passado, disse não ter sofrido qualquer pressão político em relação ao caso Master. “Não houve aproximação de político, nunca me senti ameaçado”, disse.

Em resposta ao senador Jorge Kajuru (PSB-GO), João Accioly disse concordar, contudo, que “tem mais gente envolvida” nas fraudes do banco, além de Daniel Vorcaro. “[Mas] eu não me aventuro a dizer quem está envolvido”, acrescentou.

As investigações

Accioly afirmou que, em abril de 2025, a CVM abriu um inquérito para apurar manipulações do Master em fundos de investimentos para melhorar os seus resultados contábeis.

Mais cedo, também em sua fala à CAE, ele classificou as fraudes financeiras identificadas no Banco Master como um “engana que eu gosto”. Segundo Accioly, gestores e investidores tinham um “alinhamento perverso” para fraudar balanços do Master e promoviam uma “ficção contábil” por meio de relacionamento com fundos.

Três anos antes, ainda segundo o presidente da CVM, o banco de Vorcaro se tornou alvo de uma apuração por manipular um fundo de investimento que tinha fundos de pensão como cotistas.

“Ativos eram inseridos num fundo, por um determinado valor aparentemente próximo do real. Num determinado momento, aquele imóvel que valia R$ 100 milhões magicamente passou a valer R$ 300 milhões. E essas cotas do fundo são vendidas para fundos cujos cotistas são fundos de pensão”, disse.

O presidente do órgão também afirmou que a CVM contribuiu para a deflagração da Operação Compliance Zero, que mirou o Banco Master em novembro do ano passado.

Segundo ele, o órgão detectou e comunicou ao Ministério Público “indícios de aporte de quase R$ 500 milhões em clínicas de laranjas” pelo Master.

“Eram notas comerciais, títulos emitidos. O Master diz que empresta mais do que, cerca de R$ 500 milhões para uma clínica chamada mais médicos, que tinha uma receita anual de R$ 50 mil. Não tem qualquer lastro possível”, disse.

O Banco Master está no centro da apuração da Polícia Federal sobre fraudes financeiras. Investigadores apontam que a instituição de Daniel Vorcaro pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões com a emissão de CDBs irregulares.

Vorcaro chegou a ser preso em uma das ações da PF. No mesmo dia da prisão, o Banco Central decidiu colocar o Master sob administração especial e decretar a liquidação extrajudicial da instituição.

A autoridade monetária argumentou que a medida foi motivada pela grave crise de liquidez e pelo comprometimento da sua situação econômico-financeira da instituição.

À época, o BC também afirmou que o Master violou normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.

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