Caso Kathlen: avó será ouvida pelo MP em investigação independente

Sayonara Fátima estava com a neta quando ela foi atingida por um tiro de fuzil no tórax, no último dia 8, em Lins de Vasconcelos, no Rio

atualizado 26/06/2021 10:11

Kathlen RomeuRogério Jorge/Instagram/Reprodução

Rio de Janeiro – Sayonara Fátima, avó da designer de interiores Kathlen Romeu, de 24 anos, morta com um tiro de fuzil quando estava grávida de 14 semanas, no último dia 8 de junho, será ouvida em uma investigação independente do Ministério Público que atua Junto à Auditoria da Justiça Militar. O depoimento está marcado para a próxima terça-feira (29/6).

A senhora estava com a neta no momento em que ela foi atingida na comunidade Lins de Vasconcelos, na zona norte. A Delegacia de Homicídios apura o crime. Doze policiais que estavam na ação foram ouvidos. Dois alegaram terem feito sete disparos durante troca de tiros com criminosos.

A investigação do Ministério Público recebeu informações de que os policiais militares estavam na casa de um morador fazendo uma tocaia, chamada também de cavalo de troia, para esperar os criminosos. Invasão de domicílio é considerada um crime militar.

Para a mãe de Kathlen, Jacklline de Oliveira Lopes, a apuração do MP é mais uma possibilidade para que seja feita justiça. “O MP presta serviço à sociedade. Mas a gente paga a bala que mata a gente. Se o policial foi o causador é pior ainda, mas a arma que chega na comunidade não é levada pelo pobre. Mas sei que um caso engole o outro e depois será esquecido. Ficará o buraco. A vida me obrigou a viver assim, o Estado”, desabafa.

Jacklline tem mantido uma vida reclusa, confinada em seu quarto. “Desaprendi a viver. Nem se tivesse 30 filhas seria igual a ela. Sempre que puder ter voz vou falar para que o caso seja apurado com rigidez e clamar por justiça”, afirma.

Marcelo Ramos, namorado de Kathlen, conta como é difícil lidar com a perda: “Não consegui voltar para a minha vida normal. Ainda estou muito abalado psicologicamente. A mãe dela está inconsolável. Precisamos reunir forças, porque vamos lutar por justiça até o fim. Sempre tive medo de perder meus pais, nunca poderia imaginar que perderia minha mulher e meu filho”.

Sayonara continua morando na comunidade. Em abril Kathlen havia se mudado da região com medo da violência. “Ela está abalada. Mas é uma senhora forte, e precisa também cuidar da filha”, conta Ramos.

De acordo com o laudo cadavérico da designer realizado pelo Instituto Médico Legal, ela foi atingida por um tiro de fuzil no tórax, que transfixou o corpo. A Polícia Civil apreendeu as 21 armas – 12 fuzis e nove pistolas – usadas na ação, e os militares foram afastados das ruas.

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