Caso Flávio Bolsonaro e Vorcaro pode influenciar alianças estaduais
Conversas em que senador cobra dinheiro do banqueiro pode estremecer alianças do PL com partidos do centrão
atualizado
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Os áudios em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) aparece cobrando dinheiro de Daniel Vorcaro podem colocar em xeque as alianças do Partido Liberal (PL) nos estados. Nas mensagens de voz, o parlamentar pede recursos que deveriam ser usados para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Embora Flávio argumente que não há nada de irregular nas tratativas que manteve com o banqueiro investigado por fraude financeira e que está preso desde o dia 4 de março, as revelações colocaram o filho mais velho de Jair Bolsonaro em uma posição desconfortável com o eleitor — e com políticos aliados.
Logo após o vazamento dos áudios em que Flávio, inclusive, chama Daniel Vorcaro de “irmão”, Romeu Zema (Novo) fez críticas ao senador pela relação com o banqueiro investigado e disse que a revelação era “um tapa na cara dos brasileiros de bem”. Veja o vídeo de Zema:
Zema é ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República e, embora dispute o mesmo cargo de Flávio, era visto como um aliado político do filho 01 de Jair Bolsonaro. Novo e PL, inclusive, chegaram a ter conversas sobre uma chapa única, com Zema como candidato à vice-presidente de Flávio.
Em outra possibilidade, o nome do político mineiro vinha sendo cotado como uma possibilidade para assumir um ministério no governo de Flávio Bolsonaro em uma eventual vitória do senador. Essas tratativas agora passam por um resfriamento e alas das duas legendas já defendem um rompimento dessa aliança.
Pelo PL, as declarações de Zema foram interpretadas como uma quebra de confiança por alguns parlamentares. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) disse que o ex-governador de Minas Gerais foi “vil” e se aproveitou para “lançar acusações sem fundamentos” contra o senador.
Por outro lado, a ala mais ligada a Zema acredita que os áudios podem respingar negativamente nas eleições de outubro e contaminar políticos que são aliados de Flávio Bolsonaro.
PL e Novo acumulam alianças estratégicas no Sul
- Em Santa Catarina, o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo) deverá concorrer como vice-governador na chapa de Jorginho Mello (PL);
- No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) concorrerão em apoio mútuo ao Senado. Ambos apoiarão Sérgio Moro (PL) ao governo;
- O mesmo se repete no Rio Grande do Sul, em que Marcel van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) deverão se unir na disputa à Casa Alta em apoio a Zucco (PL) ao governo do estado
As alianças com o Centrão
Outra aliança que pode ser colocada em xeque é a do Progressistas (PP) com o União Brasil. PP e União já formam uma federação com forte aliança no Congresso Nacional e base consolidada no Centrão. Nos últimos meses, as legendas vinham mantendo conversas com o PL de Flávio Bolsonaro para ampliar essa aliança.
O rumo dessas conversas, contudo, ainda é incerto. Parlamentares da federação consultados pela reportagem avaliam que ainda pode ser cedo para ter uma definição sobre tais acordos, ou até mesmo uma ruptura com o Partido Liberal, visando as eleições de outubro.
Tais diálogos podem mudar o cenário eleitoral em diversas regiões do país. Ao menos cinco pré-candidatos a governos estaduais e ao Distrito Federal filiados ao PP e ao União Brasil já receberam acenos ou já têm apoio do PL para as eleições de outubro. São eles:
- Acre: Mailza Assis (PP)
- Bahia: ACM Neto (União)
- Distrito Federal: Celina Leão (PP)
- Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP)
- Tocantins: Professora Dorinha (União)
O momento agora, no entanto, é de avaliação sobre o impacto de Flávio Bolsonaro. Ainda soma-se a esse contexto o fato de que o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PP), está entre os investigados do caso Master — fator que gera maior cautela aos partidos do Centrão.
Ciro foi alvo de buscas e apreensão em sua residência em Brasília nessa semana após investigações da Polícia Federal (PF). De acordo com a corporação, Ciro tinha diárias em hotel de alto padrão, gastos em viagens internacionais e até despesas em restaurantes pagas por Vorcaro.
As investigações também apontam que o senador chegou a receber R$ 500 mil por mês do banqueiro. As vantagens financeiras, diz a PF, ocorriam como uma espécie de “troca” para atuação parlamentar em benefício do banqueiro.
Os áudios de Flávio
O caso, revelado pelo Intercept Brasil, envolve o suposto pagamento de R$ 61 milhões em patrocínio, mencionado em conversas que se estenderam entre 2024 e até um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025.
Em um vídeo, Flávio admitiu ter ido até o banqueiro como um “filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”. Segundo ele, o banqueiro teria parado de pagar as parcelas acertadas por contrato, o que estaria prejudicando a produção cinematográfica.
Veja as conversas entre Flávio e Vorcaro:












