Zema cria crise com PL após críticas a Flávio e ala prega rompimento
Depois de criticar pedidos de dinheiro a Daniel Vorcaro feitos pelo filho “01” de Bolsonaro, Zema coloca em dúvida alianças estratégicas
atualizado
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A reação de Romeu Zema (Novo), que disse serem “imperdoáveis” as mensagens do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, instaurou uma crise na relação com o PL e colocou em risco eventuais alianças dos partidos de direita à frente das eleições.
Nas redes sociais, o pré-candidato ao Planalto do Novo disse que os pedidos de Flávio para que Vorcaro financiasse o filme cinebiográfico de Bolsonaro, Dark Horse, que pode ter chegado a R$ 61 milhões, é “um tapa na cara dos brasileiros de bem” e que “é preciso ter credibilidade para mudar o Brasil“.
Integrantes do Partido Liberal, em especial o entorno mais próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), defendem o veto a alianças com o Novo nas eleições majoritárias (governos estaduais e ao Senado) em retaliação às declarações do Zema.
O ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL) disse que o ex-governador de Minas Gerais e “potencial vice” foi “vil” e se aproveitou para “lançar acusações sem fundamentos” contra o senador. O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN), chamou as declarações de “oportunistas”.
O filho 03 de Bolsonaro também revelou que o diretório do Novo em Minas Gerais, em 2022, durante a campanha de Zema, recebeu R$ 1 milhão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel. Henrique foi um dos presos pela Polícia Federal (PF) nessa quarta-feira (14/5), em mais uma etapa da operação Compliance Zero, que investiga o caso Master.
Apesar do desgaste com o pré-candidato escolhido pelo partido, integrantes do PL mantêm cautela sobre rompimentos declarados com o Novo, que tem mantido uma relação próxima da oposição nos últimos quatro anos.
Líderes querem esperar um pedido de retratação de Zema e também do deputado federal e ex-ministro de Bolsonaro Ricardo Salles (Novo-SP), que tem acumulado brigas com os filhos do ex-presidente.
PL e Novo acumulam alianças estratégicas no Sul
- Em Santa Catarina, o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo) deverá concorrer como vice-governador na chapa de Jorginho Mello (PL);
- No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) concorrerão em apoio mútuo ao Senado. Ambos apoiarão Sérgio Moro (PL) ao governo;
- O mesmo se repete no Rio Grande do Sul, em que Marcel van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) deverão se unir na disputa à Casa Alta em apoio a Zucco (PL) ao governo do Estado
Prejuízos
Do lado do Novo, a percepção de alguns parlamentares ouvidos pelo Metrópoles sob reserva é que o vídeo prejudicou o partido e até o próprio Zema. Ainda não se fala “racha”, mas é algo que membros do partido já consideram possível e trabalham com a possibilidade.
Há ainda quem acredite que o vídeo foi uma estratégia mal calculada, em uma tentativa de surfar na onda de Flávio, mas que não pensou nas consequências. Ignorando ainda discussões de bastidores para a possibilidade de Zema assumir um ministério no governo de Flávio, já que o Novo não pretendia abrir mão da candidatura de presidenciável devido à cláusula de barreira.
Depois das declarações, os diretórios do Paraná e de Santa Catarina do Novo criticaram as declarações de Romeu Zema, que chamaram de “precipitadas”.
