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Casas foram "metralhadas" antes de indígenas serem mortos na Bahia

Segundo um cacique, diversas casas no extremo sul da Bahia foram alvo de ataques semanas antes do assassinato dos dois jovens do povo Pataxó

Mariana Andrade18/01/2023 13:45, atualizado 18/01/2023 14:35
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Reprodução/Radar News
Foto da cena do crime dos dois jovens indígenas na BR-101 - Metrópoles

A região de Itabela (BA), no extremo sul da Bahia, sofreu ataques violentos nos últimos dias, antes do assassinato dos dois jovens indígenas do povo Pataxó, na terça-feira (17/1). “Várias casas foram ‘metralhadas’, inclusive a sede da fazenda”, disse um cacique, na condição de anonimato para o portal Bahia Notícias.

Eles foram mortos na BR-101 enquanto pilotavam uma motocicleta, no final da tarde de terça (17/1). Conforme testemunhas, ambos levaram tiros nas costas e na cabeça após serem perseguidos por homens em um carro.

A área foi retomada por mais de 13 mil indígenas há um ano, com o processo das demarcações de terras.

Porém, a relação entre os fazendeiros e povos originários não é amistosa. Ainda segundo o cacique, a comunidade precisa conviver com ataques a tiros diariamente.

“Semanas atrás, alguns indígenas que estavam em uma área retomada sofreram um ataque. Pessoas que estavam numa Hilux atiraram contra alguns indígenas, mas ninguém se feriu. Na semana, atiraram contra outros indígenas, mas eles correram para o mato e se salvaram. Nós só estamos lutando por nossa terra. Não estamos matando ninguém para isso acontecer”, declarou outra liderança indígena.

Entenda o crime

Segundo informações da Polícia Civil, as vítimas foram identificadas como Samuel Cristiano do Amor Divino, 25 anos, e Nawy Brito de Jesus, 16 anos.

Quando foram mortos, os jovens deslocavam-se do Povoado de Montinho (BA) para uma das fazendas ocupadas por um grupo indígena no processo de demarcação realizado pelos povos Pataxós da região do extremo sul.

A ministra dos Povos Originários, Sonia Guajajara, lamentou a perda dos dois jovens devido à luta da demarcação de terras no extremo sul da Bahia. “A violência autorizada nos últimos anos por meio do forte armamento segue matando”, escreveu.

Guajajara afirma que acompanhará de perto os acontecimentos na área e deve “requisitar ação imediata do Estado”.

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