Cartas enviadas pela Precisa têm indícios de manipulação, diz jornal
Documentos remetidos ao Ministério da Saúde foram desautorizados pela farmacêutica indiana Bharat Biotech
atualizado
Compartilhar notícia

As cartas que foram entregues pela Precisa Medicamentos ao Ministério da Saúde, e cuja autenticidade foi negada pela farmacêutica indiana Bharat Biotech, têm fortes indícios de manipulação de imagens. O documento foi revelado pela Rádio CBN e confirmado pelo Estado de S.Paulo.
A reportagem identificou que, por trás de ambas as cartas, existe o mesmo documento: pedido de visto para representante da Precisa, identificado como Eduardo Sanchez.
Segundo a matéria veiculada, da maneira como o arquivo está estruturado, os elementos em branco cobrem o conteúdo do pedido de visto. Sobram apenas o logotipo da Bharat Biotech e a assinatura com o carimbo da farmacêutica, que são visíveis nas cartas entregues pela Precisa ao Ministério da Saúde.
Em uma das cartas, o carimbo da Bharat foi “apagado” por um elemento em branco, e substituído por outro, idêntico, um pouco mais acima.
Os dois documentos apresentados pela Precisa são datados de 19 de fevereiro. Um deles seria a autorização de plenos poderes outorgados à Precisa. A empresa brasileira seria a “representante legal e exclusiva no Brasil com poder de receber todas as notificações do governo”.
Intitulado “Declaração de inexistência de fatos impeditivos”, o outro texto registra que a farmacêutica estaria habilitada à contratação junto ao Ministério da Saúde.
A Bharat Biotech, produtora da vacina, anunciou, nesta sexta-feira (23/7), a rescisão de seu acordo com a Precisa Medicamentos, sem revelar o motivo. Em comunicado, negou a autoria de duas cartas que fazem parte do processo administrativo de compra da Covaxin.
“Adulteração”
O presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Marcos Camargo, disse que uma perícia criminal “seria capaz de dizer exatamente o que ocorreu e como ocorreu”.
“Aparentemente, tem-se uma possibilidade de adulteração no documento, ao aproveitar imagem de assinatura e carimbo de outro documento, e fraude, ao manipular o conteúdo do documento, substituindo um texto por outro”, disse ao Estadão.








