Caiado critica reciprocidade aos EUA e diz que governo cria "factoide"
Ronaldo Caiado afirmou que governo deveria priorizar problemas internos, como economia, saúde e segurança pública

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) voltou a criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um debate em Brasília nesta quarta-feira (19/8). O ex-governador de Goiás afirmou que a polarização política tem prejudicado o país e acusou o governo de criar conflitos externos para tirar o foco de problemas internos.
A declaração foi feita durante o 11º Fórum CNT de Debates – Edição Presidenciáveis, na sede da Confederação Nacional do Transporte (CNT) ao comentar a decisão do governo brasileiro em adotar a lei da reciprocidade em resposta ao tarifaço aplicado pelos Estados Unidos contra o Brasil. Em seu discurso, Caiado questionou a estratégia do governo.
“O governo vai implantar agora uma regra de reciprocidade em cima dos Estados Unidos. Pelo amor de Deus, para de estar blefando, para com essas coisas. Você não tem condição”, declarou Caiado.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasSegundo o candidato pelo PSD, o governo estaria criando um “factoide” ao ampliar as tensões diplomáticas, com o objetivo de desviar focos de crises internas causadas pelo governo federal. Caiado citou ainda recentes conflitos envolvendo Paraguai e Argentina e defendeu que o debate político deveria se concentrar nos problemas enfrentados pela população brasileira.
“Inventar uma briga com os Estados Unidos, para desviar o foco da economia, onde nós temos as empresas fechando, 82% da população está endividada […] Onde é que nós estamos? Vamos trazer o assunto para dentro de casa. Vamos trazer o assunto dos problemas que nós temos”, disse o presidenciável.
Tensões diplomáticas envolvendo o Brasil
- O Brasil se envolveu em três tensões diplomáticas nos últimos meses: com a Argentina, Estados Unidos e Paraguai.
- Argentina: a tensão política entre Lula e Javier Milei se agravou após ataques do argentino ao presidente brasileiro durante passagem pelo Brasil. Em meio declarações de Milei, o governo brasileiro rebaixou o nível das relações diplomáticas com Buenos Aires.
- Estados Unidos: a relação entrou em crise após o tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros, acompanhado de medidas diplomáticas e críticas à política interna do Brasil. Em resposta, o governo Lula acionou a Lei da Reciprocidade Econômica para pressionar Washington.
- Paraguai: a relação bilateral enfrentou um incidente diplomático provocado por uma declaração do presidente Lula ao citar a guerra do Paraguai, conflito no século 19 que Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai estiveram envolvidos. A fala resultou na convocação do embaixador brasileiro em Assunção para prestar esclarecimentos e logo foi contornada pela chancelarias.
Caiado também direcionou críticas à atual gestão petista, especialmente para a situação econômica e aos serviços públicos do país. Segundo ele, empresas estão fechando e parte significativa da população enfrenta dificuldades financeiras.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO presidenciável pelo PSD voltou a dizer que o presidente Lula “extremamente descontrolado, gastador, e que não tem um projeto estruturante no país”, e afirmou ser capaz de assumir o Brasil para implementar um melhor governo.
Na área da saúde, o candidato afirmou ter visitado hospitais filantrópicos e Santas Casas e questionou as condições enfrentadas pelas instituições. “Tá tudo quebrando. Então, onde é que tá a saúde do Brasil? Onde é que tá a segurança pública do país?”, disse.
No evento e em uma declaração direcionada aos membros do setor de indústria e transportes, o ex-governador de Goiás também pediu votos e declarou ter “capacidade moral” para presidir o Brasil e colocar um fim na polarização do país. “Me deem essa chance que vocês vão que pelo menos eu tenho autoridade moral e coragem pessoal para poder fazer as mudanças que esse país precisa“, disse.



