Caged: Brasil cria 85,8 mil empregos com carteira assinada em abril
Dados foram divulgados nesta quinta (28/5) pelo Ministério do Trabalho e Emprego no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
atualizado
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O Brasil criou 85,8 mil novas vagas de emprego formal, ou seja, com carteira assinada, em abril segundo mostram os dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quinta-feira (28/5) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O saldo do mês é decorrente de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos. Do total, 85,3% dos postos foram considerados típicos, e 14,6% não típicos, com destaque para trabalhos com 30 horas ou menos e para aprendizes.
No mês, três dos 5 agrupamentos de atividades econômicas apresentaram saldos positivos.
Confira a variação de cada atividade econômica:
- Serviços, com criação de mais 69.601 postos; puxado pelos grupos de saúde, transporte e atividades administrativas;
- Construção Civil, com saldo positivo de 23.525 postos; puxada pela construção de edifícios.
- Indústria, com saldo positivo de 9.256 postos; puxado pela fabricação de produtos de carne e álcool.
O comércio, por sua vez, registrou saldo negativo, com redução de 8.114 postos, puxados pelas baixas no comércio varejista. Já a agropecuária teve diminuição de 8.378 postos, impulsionados pela desmobilização do cultivo de soja.
Segundo a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, a diminuição dos postos de emprego no comércio está relacionada a alta do endividamento.
De acordo com ela, os setores do comércio mais impactados no período foram vestuários e acessórios e calçados e itens de viagens, que tendem a ter crescimento no final do ano, puxado pelas férias de final de ano e feriados comemorativos.
O ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Luiz Marinho, avaliou que o número de vagas abertas em abril menor do que o esperado pelo mercado financeiro pode ser explicado pelo impacto dos juros, atualmente em 14,50%. Além disso, de acordo com ele, o número pode estar sendo impactado pelos efeitos da guerra.
“Estamos monitorando, temos um olhar para a economia, o Ministério da Fazenda e o BC precisa estar atento a isso, os juros são excessivamente alto para a economia brasileira”, disse em entrevista coletiva para comentar os dados.
Em abril do ano passado, o número de empregos criados foi de 238 mil. O mercado financeiro esperava uma alta na mesma magnitude, olhando, inclusive, para o resultado do mês de março, quando o Brasil registrou 227 mil novas vagas abertas.
Segundo a economista da SulAmérica Investimentos, Mariana Rodrigues, a criação de apenas 86 mil vagas frustrou as expectativas do mercado, marcando o pior resultado para o período desde 2017 e sinalizando um possível movimento inicial de desaquecimento na geração de empregos.
“Nessa mesma linha, a população ocupada ajustada sazonalmente, divulgada hoje pela PNAD, também indicou queda na margem, mesmo que a taxa de desemprego continue operando abaixo da média histórica. Sendo assim, o monitoramento das próximas divulgações será fundamental para atestar se o cenário reflete uma tendência estrutural de desaceleração do mercado de trabalho”, disse.
Grupos populacionais
Sobre os grupos populacionais, em abril, o saldo foi mais favorável para as mulheres com a criação de 49.857 mil vagas, do que para os homens, com mais 36.031 vagas.
Em fevereiro, houve crescimento em 24 unidades da federação (UF), com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
As UFs com maiores saldos são:
- São Paulo, com mais 20.202 postos;
- Rio de Janeiro, com mais 11.741 postos;
- Minas Gerais, com mais 8.991 postos.
Já as com menores saldos são:
- Alagoas, com menos 1.505 postos;
- Rio Grande do Sul, com menos 1.396 postos;
- Rio Grande do Norte, com menos 1.396 postos.
Salário médio
O salário médio real em abril foi de R$ 2.386,65 com aumento de R$ 16,68 (-0,7%) em relação ao valor de março de 2026, de R$ 2.369,88.
Enquanto na comparação com abril do ano passado, houve aumento real de R$ 42,21 (1,8%).
Para os trabalhadores considerados típicos, o salário foi de R$ 2.429,79 (1,8% maior que o valor médio), enquanto aqueles considerados não típicos tinham salário médio de R$ 2.047,86 (14,2% menor que o valor médio).
Escala 6×1
Questionado sobre a aprovação da Proposta de Emenda a Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, Marinho afirmou que acredita que a tramitação da medida no Congresso Nacional deve ser finalizada ainda no primeiro semestre de 2026.
De acordo com ele, se o Senado Federal der celeridade a medida, sendo sensível ao apelo da sociedade, o texto deve ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dentro de 30 dias.