Cabral admite que esposa “sabia e usufruiu do caixa paralelo”
É a primeira vez que o ex-governador afirma que Adriana Ancelmo conhecia o esquema de corrupção do qual agora ele se tornou delator
atualizado
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O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral afirmou durante audiência judicial nesta segunda-feira (10/02/2020) que sua esposa, a advogada Adriana Ancelmo, sabia da existência de seu “caixa paralelo” formado a partir de dinheiro público desviado da administração estadual fluminense. As informações são do jornal Extra.
Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, responsável pelo braço da Operação Lava Jato no estado, Cabral confirmou, pela primeira vez o caso. “Ela sabia do caixa paralelo, sabia que meus gastos eram incompatíveis com a minha receita formal”, relatou o ex-governador, acrescentando que a mulher “usufruiu” largamente desse caixa.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Cabral ocultou cerca de R$ 4 milhões desviados com a ajuda do empresário Italo Garritano, dono do restaurante japonês Manekineko. O processo teria ocorrido por meio do escritório de advocacia de Adriana Ancelmo em 16 oportunidades entre 2014 e 2016. O ex-governador confirmou as acusações dos procuradores.
Adriana Ancelmo
Durante audiência, Adriana Ancelmo reafirmou o que já havia declarado em um processo anterior, em que negou o esquema de uso de seu escritório e afirmou que a relação com a rede de restaurantes envolvia prestação real de serviços.
Em nota, o advogado de Adriana Ancelmo, Alexandre Lopes, atribuiu as declarações de Cabral ao desespero diante das condenações, que já somam mais de 280 anos.
“Não vejo como possível levar a sério esse novo depoimento de Sérgio Cabral. Se ele sequer mencionou o fato à Polícia Federal, ao que se sabe, em sua delação, passa-se a ideia de que o ex-governador quer se posicionar como um colaborador da Justiça, confessando tudo o que lhe for perguntado, a fim de auferir benefícios que nem mesmo o Supremo Tribunal Federal concedeu. Parece desespero pelos quase 300 anos de pena já impingida”, afirma a nota.
