Brumadinho: polícia prende suspeitos de fraudar indenizações da Vale

Os policiais prenderam 10 pessoas por tentativa de falsificação de atestado dos postos de Saúde da Família

Bárbara Ferreira/Especial para o MetrópolesBárbara Ferreira/Especial para o Metrópoles

atualizado 09/07/2019 15:06

Um grupo de pessoas suspeitas de estelionato em Brumadinho é alvo de uma investigação da Polícia Civil de Minas Gerais. Desde a semana passada, os policiais prenderam 10 pessoas por tentativa de falsificação de atestado dos postos de Saúde da Família. Os documentos falsos eram utilizados como comprovante de residência para o recebimento de indenização paga pela Vale aos moradores do município.

Segundo a polícia, 39 suspeitos estão sendo investigados desde o rompimento da Barragem Córrego do Feijão, em janeiro deste ano. “Documentos apresentados pela Vale à Polícia Civil confirmam o ganho imediato dos fraudadores, lembrando que tal indenização é devida desde janeiro de 2019, sendo os retroativos depositados aos beneficiados em uma só vez, e será concedida até o mês de dezembro deste ano”, disse a delegada Ana Paula Gontijo.

Segundo as investigações, seis pessoas de uma mesma família receberam, cada uma, entre R$ 5 mil e R$ 12 mil depois de solicitarem o auxílio emergencial com a declaração falsa. “Uma das investigadas é moradora de Brumadinho e realmente tem direito à indenização de urgência. Contudo, ela forneceu o endereço onde mora para o namorado e outros parentes que residem em Sarzedo”, afirma a delegada.

De acordo com a policial, a mulher pode responder por estelionato, organização criminosa e falsidade ideológica, por ter registrado de próprio punho uma declaração de que o namorado morava com ela.

A Polícia Civil também apurou que os documentos fraudados eram comprados de um falsário e os suspeitos pagavam entre R$ 500 e R$ 700 pelas declarações. “Ele forjava o papel timbrado e o carimbo do posto de saúde. Chegou até mesmo a falsificar a assinatura de uma enfermeira”, afirmou a delegada.

Ex-candidata a deputada distrital, Ana Maria Vieira Santiago foi presa em 18 de março por ter recebido indenização de R$ 65 mil pagos pela Vale a pessoas atingidas pela barragem. Ela teria aplicado outros golpes no Distrito Federal e foi denunciada em ao menos seis ocorrências policiais no DF.