Policiais Militares

Brasil tem 76,2 mil policiais e bombeiros ainda sem nenhuma dose da vacina

Número representa 9,85% do contingente. Em 11 UFs, vacinação de policiais civis, PMs e bombeiros é menor do que a da população em geral

atualizado 06/10/2021 0:16

Policiais MilitaresPMDF/Divulgação

Parte do grupo prioritário na vacinação contra a Covid-19 em todo o país, as forças de segurança e salvamento de 11 estados não conseguiram alcançar a média de aplicação da primeira dose equivalente à do restante da população. Nessas unidades federativas, a quantidade de policiais civis, militares e bombeiros vacinados com a primeira dose contra a Covid-19 está abaixo de 81%, porcentagem atual da população geral acima de 12 anos que já recebeu ao menos uma aplicação de imunobiológico.

Segundo os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e planos estaduais de imunização, a estimativa é que existam 773.896 membros de forças de segurança e salvamento atualmente no Brasil. No país, 76.283 trabalhadores dessas áreas ainda não procuraram os postos de vacinação, segundo os registros até essa segunda-feira (4/10), o que representa 9,85% do total.

Um dos grandes problemas dessa situação é que esse contingente de não vacinados trabalhando nas ruas sem imunização coloca em maior risco de contágio os colegas de profissão e a população em geral. Foi para evitar essa ameaça à saúde dos próprios agentes e dos cidadãos que as forças de segurança e salvamento foram incluídas como prioridade na vacinação.

No último lugar da lista, o Maranhão tem apenas 45% dos membros de segurança e salvamento vacinados. Segundo a Secretaria de Saúde do estado, somente 10.230 dos 22.723 integrantes buscaram a imunização contra a doença.

No Acre, na Paraíba e no Paraná, um pouco mais da metade dos empregados nas duas áreas procurou os postos de vacinação, com 51,7%, 53,2% e 53,1% de membros que tomaram ao menos uma dose, respectivamente. No Paraná, 11.753 PMs ainda precisam ser imunizados. O estado, que contabiliza a Polícia Militar separadamente dos demais grupos, conta com um efetivo de 25.073 policiais.

Amapá (66,2%), Santa Catarina (68,9%), Piauí (79,7%), Rondônia (74,3%), Tocantins (73,2%), Roraima (73,6%) e Rio de Janeiro (72,2%) também compõem a lista das unidades federativas que ficam abaixo da média nacional de vacinação.

No estado do Rio de Janeiro, ao contrário da capital fluminense, que exige a obrigatoriedade de vacinação para seus servidores, o governo estadual não possui nenhuma orientação ou decreto sobre o assunto, cabendo a cada corporação decidir a exigência do comprovante de imunização aos agentes.

O estado de Roraima apresenta números de segunda dose superiores aos da primeira, devido à aplicação de 4.532 doses únicas, o que totaliza 83,4%.

As forças de salvamento e segurança fazem parte dos grupos prioritários da vacinação contra a Covid-19, segundo determina o Plano Nacional de Imunizações (PNI).

Veja a seguir o levantamento de vacinados com primeira e segunda dose por estado:

O levantamento foi realizado pelo (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles.

Para o doutor em administração pública e governo (EAESP/FGV) e associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública Alan Fernandes, os dados obtidos revelam a realidade dos quartéis brasileiros, em grande parte influenciados pelo negacionismo contra a vacina e ciência e aliados à ideologia do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

“As informações vindas do governo federal são muito consumidas por esse público. E temos o maior líder político do país com esse discurso. Então para eles não é fake news, isso é verdade”, explica o especialista.

Para Fernandes, entretanto, também faltaram medidas estaduais para conter a baixa adesão, como a obrigatoriedade imposta em alguns locais no país. “A questão pública de saúde é maior que a questão individual. E se você não consegue fazer uma gestão sobre essa população, que está no funcionalismo público, me preocupa esse cenário na população em geral”, diz Alan Fernandes.

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Falta de dados corretos inflacionam vacinados

Se de um lado há unidades federativas que penam para vacinar seus membros de segurança e salvamento, por outro há estados que inflacionam os números de imunizados, devido a problemas na tabulação de informações e à mistura de profissionais de apoio entre os agentes de segurança e salvamento.

É o caso de Alagoas, Bahia, Ceará e São Paulo. Nesses estados, a conta da vacinação não fecha: a porcentagem de imunizados com a primeira dose ultrapassa o total do público da campanha.

Alagoas (101,6%) e Ceará (105,8%) não responderam às tentativas feitas pelo Metrópoles, para entender o número inflacionado, até o momento de fechamento desta reportagem.

São Paulo, que registrou 114,5% de policiais e bombeiros com a primeira dose aplicada, afirmou que o fato é “comum em campanhas de vacinação”, quando as previsões nem sempre são acuradas, e atribuiu o resultado à alta adesão à campanha de vacinação no estado.

A Bahia, que foi questionada por apresentar 122,8% dos seus servidores com a primeira dose, afirmou que o número está correto e que talvez a reportagem estivesse “com dificuldade para interpretar adequadamente” seus dados. Acrescentou ainda que o fato é justificável pela utilização do termo “estimativa” em notas técnicas sobre o assunto. O estado possui a maior defasagem de números reais de seus servidores em todo o país.

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