Brasil já "venceu" EUA em disputa na OMC. Relembre o caso do algodão
Brasil e Estados Unidos enfrentaram um longo processo na OMC no caso que ficou conhecido como Contencioso do Algodao

Em meio aos embates sobre as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil, membros da diplomacia brasileira relembram o caso do contencioso do algodão que os dois países enfrentaram na Organização Mundial do Comércio (OMC) — e que o Brasil conseguiu sair vitorioso.

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Ver todasO caso teve início em 2002, quando produtores de algodão brasileiros, por meio do governo federal, pediram por uma consulta na OMC sobre os subsídios que os EUA estavam concedendo a produtores e consumidores de algodão nos Estados Unidos.
O Brasil sustentava que as iniciativas promoviam uma competição desleal e prejudicavam o preço do algodão no comércio internacional. Em setembro de 2004, a organização concluiu que os subsídios eram ilegais.
Em resposta, a OMC determinou que os Estados Unidos deveriam abandonar os incentivos e que as iniciativas deveriam ser canceladas. A orientação, contudo, não foi amplamente acatada. Em 2005, Washington readequou diversos desses incentivos com a intenção de torná-los legais às margens da OMC.
O Brasil, então, reclamou da decisão norte-americana e pediu o direito de retaliar os Estados Unidos comercialmente. Em 2008 o Brasil recebeu o direito de retaliação e modificou legislações internas para pressionar Washington a negociar e chegar a um acordo com o país.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO sucesso brasileiro no caso é discutido em um momento que o Brasil é alvo de novas ameaças comerciais dos Estados Unidos. Enquanto tentam negociar a reversão de taxas às importações brasileiras, diplomatas e interlocutores do Palácio do Planalto relembram o caso em um cenário de possibilidades que o Brasil pode adotar como método de retaliação contra o país.
Disputa comercial entre EUA e Brasil
- Brasil e Estados Unidos já enfrentaram uma disputa comercial na Organização Mundial do Comércio (OMC) devido a comercialização de algodão dos dois países no mercado internacional.
- O Brasil pediu investigações por alegar que subsídios e incentivos dados pelo governo norte-americano a produtores locais de algodão criava uma competição desleal e prejudicava o preço do algodão no comércio internacional.
- Após levar o caso à OMC, a organização acatou as reclamações brasileiras e determinou que os EUA cessasse os incentivos. O Brasil também foi autorizado a retaliar o país comercialmente com o objetivo de compensar os prejuízos causados pelo algodão.
O processo de retaliação brasileira
As retaliações comerciais tinham como objetivo compensar os prejuízos no algodão causados pelos EUA. A proposta brasileira fechou uma lista com cerca de 102 produtos americanos que tiveram as alíquotas de importação elevadas para até 100%.
A lista, mais do que interesses comerciais, também atingia objetivos políticos de congressistas norte-americanos. O Palácio do Planalto, com apoio de diplomatas do Itamaraty produziram uma lista com foco em produtos ligados a redutos eleitorais de políticos do país.
O objetivo, revelaram participantes da negociação ao Metrópoles, era pressionar esses congressistas, que podiam, em outra vertente, pressionar o governo por um acordo. Vale relembrar ainda que agronegócio americano é um grande doador de candidatos à presidência, ao Senado e à Câmara dos Deputados.
Na iminência de uma retaliação, os Estados Unidos concordaram em fechar um acordo de compensação com o governo brasileiro. Em 2010, foi negociada a proposta de transferência de US$ 147,3 milhões anuais para ser destinado ao Instituo Brasileiro do Algodão (IBA), que promove o fortalecimento da cotonicultura brasileira.
O Brasil concordou em suspender temporariamente novas ações na OMC contra determinados subsídios americanos ao algodão e programas de crédito à exportação, desde que os Estados Unidos mantivessem esses programas dentro das regras negociadas entre os dois países. Os dois países também firmaram o acordo de enviar relatório frequentes à OMC.
Relembre o caso do contencioso do algodão
Brasil e Estados Unidos enfrentaram uma longa disputa comercial na OMC após pedido do governo brasileiro, feito em 2002. O Itamaraty pediu uma consulta no órgão para analisar a legalidade de incentivos fornecidos a produtores americanos de algodão.
À época, o governo norte-americano estava promovendo programas de garantias de crédito à exportação para produtores locais. O país também estava fazendo repasses a esses produtores para compensar a diferença do preço do algodão praticado pelos EUA no mercado internacional, mantendo o produto americano competitivo.
A OMC, então, abriu um procedimento de investigação e concluiu que as medidas promovidas pelos EUA eram consideradas incompatíveis e ilegais. No dia 8 de setembro de 2004, relatório da organização concluiu que:
- As garantias de crédito à exportação agrícola estão sujeitas às normas da OMC relativas aos subsídios à exportação, e três programas de garantia de crédito à exportação dos Estados Unidos são subsídios à exportação proibidos, que não possuem a proteção da Cláusula de Paz e violam essas normas;
- Os Estados Unidos também concedem vários outros subsídios proibidos em relação ao algodão;
- Os programas de apoio interno dos Estados Unidos em relação ao algodão não são protegidos pela Cláusula de Paz, e alguns desses programas resultam em sérios prejuízos aos interesses do Brasil, na forma de supressão de preços no mercado mundial.
O Estados Unidos chegou a recorrer da decisão, pedindo que a conclusão da OMC fosse revista. O órgão de apelação, contudo, não acatou as justificativas norte-americanas e concordou que os subsídios concedidos pelo país prejudicavam o preço mundial do algodão.







