Nesta quinta-feira (14/3), um ano depois dos assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, várias manifestações, em Brasília, no Brasil e no mundo, celebraram a memória de ambos. O Rio de Janeiro foi palco de muitas homenagens. No local do crime, no centro da capital, na Câmara dos Vereadores e no Complexo da Maré havia flores e pessoas entoando palavras de ordem.

O “Amanhecer com Marielle” iniciou o dia. Faixas e flores tomaram o local, no bairro do Estácio, onde o carro da vereadora foi alvo dos tiros. Na escadaria da Câmara, mulheres em pernas de pau ostentavam faixas com dizeres como “Marielle Gigante”.

No Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio, foram espalhados mais de 300 girassóis nas escadarias. Uma faixa questionava: “Quem matou Marielle?”.

Houve uma missa solene pela memória de Marielle e Anderson, na Candelária, uma das principais igrejas do centro da cidade. O cardeal-arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, celebrou a missa, que contou com a presença da família da vereadora.

O pai de Marielle, Antonio Francisco Neto, disse que somente agora, um ano depois do crime, “a ficha caiu”. Ele afirmou que, ao longo desses 365 dias, vinha se mantendo forte. “Hoje minha fortaleza ruiu”, disse, na igreja.

Em São Paulo, o ato em torno do ano que passou desde a morte de Marielle Franco foi marcado pela frase: “A Marielle perguntou, eu também vou perguntar: quantas mais têm que morrer para essa guerra acabar?”.

O rosto de Marielle estava por todos os lados: cartazes, faixas, blusas e adesivos. Na praça Oswaldo Cruz, na Bela Vista, centro de São Paulo, milhares de pessoas prestaram homenagens à vereadora e cobraram respostas de autoridades sobre os mandantes do crime.

No DF
Em Brasília, lideranças do PSol promoveram ações em memória da correligionária na Praça Zumbi dos Palmares, no Conic, e na Câmara Legislativa (CLDF).

Na área central, os manifestantes ostentaram 365 réplicas da placa da rua que recebeu o nome da vereadora fluminense no Rio de Janeiro.

Cada uma representava um dia passado desde a morte de Marielle. “A ideia é fazer o registro desse momento simbólico para a posteridade: em contraposição às placas quebradas por correligionários de Bolsonaro, nós ergueremos centenas”, frisou o presidente da Comissão de Direitos Humanos da CLDF, Fabio Félix (PSol), um dos organizadores dos atos.

 

À tarde, o livro UPP: A Redução da Favela a Três Letras, baseado em uma dissertação da ex-parlamentar, foi lançado na Câmara Legislativa. A renda dos exemplares, vendidos a R$ 30, será revertida à família dela no Rio de Janeiro. Algumas cópias estão disponíveis para compra no gabinete de Fabio Félix.

Às 19h, uma sessão solene em homenagem às duas vítimas foi realizada na CLDF, com a presença de grupos de feministas, LGBTI+, estudantes e membros da sociedade civil organizada. Também participaram representantes da Anistia Internacional e da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

No exterior
Brasileiros que moram no exterior também prestaram homenagens. Na cidade italiana de Milão, ela foi lembrada com pichações nos muros, com perguntas em português e italiano: “Quem mandou matar Marielle?”.

Em Buenos Aires, na Argentina, houve colagem de adesivos com placas que mudam o nome de ruas da cidade pelo de Marielle. Na Europa, mensagens foram escritas na fachada do edifício da missão brasileira na União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica.

Outras cidades também foram palcos de homenagens: Waisenhausplatz, Zurich, Bern e Genebra (Suíça), Coimbra, Lisboa e Porto (Portugal), Montreal (Canadá), Madrid e Barcelona (Espanha), Londres (Inglaterra), Sydney e Melbourne (Austrália), Berlim (Alemanha), Bogotá (Colômbia), Aarhus (Dinamarca), Paris (França), Bologna (Itália), Estocolmo (Suécia), Montevidéu (Uruguai), Londres (Inglaterra) Washington DC, New Jersey, Boston, Cambridge, Oakland, Los Angeles e Santa Cruz (Estados Unidos).

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(Com Agência Estado e Brasil de Fato)