Braiscompany: Justiça bloqueia R$ 590 milhões de envolvidos em fraude
A Justiça quer fazer uma “varredura” nos bens dos oito réus para obter o valor de R$ 590 milhões

A Justiça da Paraíba determinou a indisponibilidade de bens e o arresto cautelar de até R$ 590 milhões pertencentes a oito pessoas ligadas ao grupo Braiscompany. A determinação foi dada no âmbito do processo de falência da empresa.

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Ver todasA decisão do juiz Milton Pereira de Sousa visa resguardar o patrimônio para o ressarcimento de cerca de 20 mil investidores lesados por uma pirâmide financeira que operava sob o disfarce de contratos de locação de criptoativos. O valor fixado equivale ao passivo total consolidado na falência.
A decisão foi obtida pelo Metrópoles com exclusividade.
A ordem determina o bloqueio imediato de contas bancárias, imóveis, veículos e saldos mantidos em corretoras de ativos virtuais de Antônio Neto, Fabrícia Campos, Mizael Silva, Sabrina Lima, Flávia Campos, Fernanda Campos, Clécio Fernando Cabral e Gesana Silva.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA Justiça quer fazer uma “varredura” nos bens dos oito réus para obter o valor de R$ 590 milhões.
Fraude bilionária
- A Braiscompany funcionava como uma pirâmide financeira disfarçada por meio de simulados contratos de locação de criptoativos;
- A organização captou mais de R$ 1,1 bilhão de investidores, mas laudos da Polícia Federal (PF) comprovaram que menos de 1% desse valor foi realmente aplicado em operações com moedas virtuais;
- Cerca de 16% de todo o valor arrecadado foi desviado diretamente para o enriquecimento pessoal dos controladores;
- O esquema lesou cerca de 20 mil investidores e gerou uma dívida consolidada de R$ 590.441.263,68 no processo falimentar.
A Braiscompany “alugava” bitcoins de clientes. Os criptoativos ficam custodiados em uma carteira gerida pela companhia. Em troca, ela oferecia retornos com taxas que podiam variar de 6% a 8% ao mês.
Casal milionário
Para manter o esquema em funcionamento, 72% do dinheiro arrecadado de novos clientes era usado para pagar os rendimentos de investidores antigos. Paralelamente a isso, de acordo com a Justiça, 16% de todo o capital movimentado foi desviado diretamente para o enriquecimento pessoal do casal Antônio Neto e Fabrícia Campos e de pessoas próximas.
Enquanto Antônio exercia a função de diretor executivo, Fabrícia Campos atuava como sócia-administradora e titular da principal carteira de cripto ativos da empresa. A decisão aponta que Fabrícia também difundia falsas narrativas de mercado e controlava carteiras e contas bancárias em nome de terceiros para ocultar valores.
“No primeiro grupo, figuram os sócios-administradores e controladores hegemônicos das empresas falidas, Antônio Inácio da Silva Neto e Fabrícia Farias Campos. Ambos exerceram o domínio absoluto sobre as pessoas jurídicas quebradas e respectivas coligadas”, diz de Sousa.
Condenação
A decisão do bloqueio dos bens ocorreu na ação penal sobre o processo de falência da empresa. Na esfera criminal, o casal e os demais operadores foram condenados, em 2024, por crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, lavagem de capitais e organização criminosa.
Na sentença penal, Antônio Neto recebeu uma pena de 88 anos, 7 meses e 13 dias de reclusão em regime fechado. Já Fabrícia Farias Campos foi condenada a 61 anos, 11 meses e 20 dias de prisão.
Após a decretação de medidas cautelares em janeiro de 2023, o casal fugiu do Brasil para a Argentina utilizando passaportes de familiares e desfazendo-se de celulares e documentos para ocultar provas. Ambos foram posteriormente localizados no exterior e respondem a processo de extradição.
O Metrópoles buscou contato com as defesas dos oito réus, mas até o fechamento da reportagem não obteve sucesso. O espaço segue aberto.
