Bolsonaro rebate questionamentos de Lula sobre facada: “Canalha”

Segundo o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, Lula deveria cumprir "prisão perpétua"

Marcos Corrêa/PRMarcos Corrêa/PR

atualizado 14/06/2019 12:27

O presidente Jair Bolsonaro (PSL), criticou a atitude de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que, após a divulgação de conversas entre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro e o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, levaram a julgamento um habeas corpus preventivo que poderá dar margem a questionamentos de todas as condenações avalizadas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), inclusive a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em outra frente, a Corte pode ainda reavaliar a possibilidade de prisão após julgamento em 2ª instância, decisão que beneficiaria diretamente o ex-presidente, entre outros políticos presos, como Eduardo Cunha. “Seria péssimo exemplo tirar todos da cadeia”, disse Bolsonaro em café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto.

O presidente não poupou Lula de críticas, chamando o ex-presidente, inclusive, de “canalha” e reclamou das autorizações para as entrevistas. “Até onde eu saiba, presidiário só presta depoimento, não dá entrevista”, disse Bolsonaro.

Sobre os questionamentos levantados por Lula sobre a veracidade da facada, durante a campanha, Bolsonaro reagiu: “Não tenho que dar explicações sobre esse sujeito. Uma facada na barriga do Lula só sairia muita cachaça”. Na sequência, Bolsonaro questionou os jornalistas: “Alguém acha que eu teria dinheiro e influência para inventar uma coisa dessas?”,

Neste momento, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno também entrou na defesa do presidente, de forma aguerrida. Batendo com as mãos na mesa disse: “É uma canalhice desse sujeito. Não mereceu o cargo. A Presidência da República é uma instituição sagrada”. Na sequência, defendeu a “prisão perpétua” para Lula.

Heleno rebateu a dúvida dizendo que quando Lula e Dilma anunciaram que estavam doentes, com câncer, ninguém duvidou e por isso eles não deveriam fazer este tipo de ilação.

O presidente Jair Bolsonaro recebeu, na manhã desta sexta-feira (14/06/2019), jornalistas que cobrem o dia-a-dia do Palácio do Planalto como setoristas. O Metrópoles estava entre os meios de comunicação convidados. No último encontro com profissionais de mídia, o jornal também estava entre os convidados.

Demissão
O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), anunciou ainda, no café da manhã, a demissão do atual presidente dos Correios, general Juarez Aparecido de Paula Cunha. Segundo o presidente, o cargo de Cunha chegou a ser oferecido ao general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido da Secretaria-Geral da Presidência da República, na quinta-feira (14/06/2019).

Bolsonaro evitou falar sobre os motivos da demissão de Santos Cruz. Ele recorreu à metáfora do do casamento para falar sobre o ex-ministro. “Foi uma separação amigável. Ele continua no meu coração”, disse o presidente em café da manhã, com jornalistas.

O presidente informou que ofereceu outros cargos dentro do governo ao general, inclusive o de presidente dos Correios, mas Santos Cruz não demonstrou vontade de permanecer.

O ex-ministro era contra o investimento forte de recursos na principal pauta do governo até o momento: a reforma da Previdência. Isso contrariava o ministro da Economia, Paulo Guedes que tem defendido um engajamento mais aguerrido do Planalto à reforma. Além de Guedes, o secretário de comunicação, Fábio Wejngarten, que era subordinado a Santos Crus , defende o aumento das verbas publicitárias para meios de comunicação e redes sociais com foco na reforma.

Decisão do STF
Jair Bolsonaro (PSL), criticou, na mesma ocasião, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalizar a homofobia, equiparando-a ao crime de racismo. Para o presidente, a decisão, tomada pelo placar por 8 a 3 na tarde de quinta-feira (13/06/2019), é um equívoco.

“A decisão é equivocada. Ela prejudica o homossexual”, argumentou o presidente, ao defender a tese de que a decisão dos ministros cria, na realidade, uma discriminação. “Está se tornando insuportável o Brasil por conta dessas questões”, prosseguiu o presidente.

Ele usou de ironia para defender uma posição contrária à tomada pelo Supremo. “Agora, e você ofendeu uma pessoa, deu uma facada, só porque é gay, tem que ser agravada”, ironizou. Em setembro do ano passado, ainda durante a campanha presidencial, Bolsonaro foi atacado com uma facada.

O presidente ainda citou como exemplo uma conversa que teve com o apresentador Danilo Gentili, que não divulgada. Na conversa, Bolsonaro disse: “Danilo, olhando para você, eu sei se você é amarelo ou branco, mas não sei se você é gay”, observou o presidente. Na sequência, ele defendeu mais uma vez a necessidade de se ter no STF um ministro evangélico.

“Não é uma mistura de política com religião, mas não custa nada”, disse Bolsonaro. O presidente argumentou que, por conta de questões como esta da homofobia, que envolve costumes, há a necessidade de um ministro religioso.

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