Bolsonaro diz ter a “convicção” de que Adélio não agiu sozinho

Na ocasião, Bolsonaro indicou a demissão do ministro Marcelo Álvares e disse que seu filho, Flávio Bolsonaro, deve se explicar à justiça

atualizado 13/03/2019 13:35

Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Na semana em que suspeitos de matar a ex-vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) foram presos, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) avaliou que é importante que sejam identificados os eventuais mandantes do crime. Ele demonstrou ainda preocupação com a investigação da facada que levou durante eleições presidenciais, em outubro de 2018.

Em café da manhã com jornalistas convidados no Palácio do Planalto, realizado na manhã desta quarta-feira (13/3), o presidente reafirmou que nunca teve contato com os supostos assassinos Ronnie Lessa e Élcio Vieira, apesar do primeiro morar no mesmo condomínio que ele no Rio de Janeiro. O Metrópoles não foi convidado para o encontro.

“Meu condomínio tem 150 casas, tem uma mulher presa por tráfico internacional de drogas e outro pela Lava Jato. Sabe como é o Rio de Janeiro, né, o cara fica rico e já quer morar na Barra da Tijuca”, afirmou o presidente, respondendo ao fato de ser vizinho do criminoso.

Questionado sobre o namoro entre seu filho mais novo, Renan Bolsonaro, e uma das filhas dos acusados, o chefe do Executivo afirmou que recebeu uma ligação do filho em que ele confessava: “pai, namorei todo mundo do condomínio e não me lembro dessa menina”. “Não tenho vida social no condomínio, não tem área de lazer”, frisou.

Sobre o ataque que sofreu na campanha, o presidente afirmou ter a certeza de que Adélio Bispo, o autor, estava a mando de alguém quando fez o ataque. “Minha convicção é de que não foi da cabeça dele”, explicou.

Na conversa, Bolsonaro contou que teve que trocar a equipe da Polícia Federal que andava com ele, pois, no dia do atentado em Juiz de Fora, ele procurou por seu colete anti-balas e não encontrou. Ao se encontrar com seus eleitores, ele disse ter pensado: “é a ultima vez que eu entro em uma multidão dessa sem colete”.

Queda de ministro
A respeito do ministro do Turismo de Marcelo Álvaro, Bolsonaro indicou que a sua permanência no cargo está condicionada ao avanço das investigações que apuram se ele utilizou candidaturas laranjas para favorecer a sua campanha.

“Converso muito com o Moro sobre isso”, contou o presidente. “Tem um parecer da Polícia Federal, se for nesse sentido [demonstrando existência do esquema de laranjas] o desfecho vai ter que ser esse”, continuou, a respeito da demissão.

Filho
Questionado sobre as investigações contra seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o presidente disse que o parlamentar é “de boa índole e vai ter que se explicar”. O senador está sendo investigado por movimentações financeiras atípicas feitas por seu então assessor parlamentar, Fabricio Queiroz.

Internacional
A respeito da viagem que fará aos Estados Unidos e que  terça-feira (19/3), Bolsonaro disse que “faz questão” de trocar o embaixador brasileiro no país. Além disso, o presidente afirmou que deve mudar “pelo menos 15″ embaixadores por toda Europa, em especial o da França. ” É fundamental que as embaixadas tenham embaixadores alinhados com o governo. Me chamam de ditador racista e homofóbico, e eu não sou nada disso”, confessou Bolsonaro.

Crise na Justiça
Pela primeira vez, Bolsonaro se pronunciou sobre a demissão de Ilona Szabó no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP). Na ocasião, ele confessou que pediu diretamente ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, para afastar a cientista política do cargo devido às suas concepções políticas. “Ela era favorável ao aborto e isso ia dar problemas com a base do governo no Congresso”, confessou.

Nas redes
O presidente da Repúblico foi questionado sobre sua ativa participação nas redes sociais, em especial o Twitter. Na terça-feira de Carnaval, Bolsonaro postou um vídeo de baixo calão com cenas de um bloco que polarizou as opiniões nas redes. Ainda, na última sexta-feira (8/3), o presidente publicou uma história falsa, acusando uma jornalista do jornal O Estado de S. Paulo de perseguir o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). “O que está feito está feito. O que eu fiz eventualmente de maneira intempestiva, eu já fiz”, respondeu.

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