Banco Central se manifesta sobre conversas de Galípolo e Moraes

Segundo nota oficial do Banco Central, as conversas entre Galípolo e o ministro do STF tratavam da aplicação da Lei Magnitsky

atualizado

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo - Metrópoles
1 de 1 O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo - Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Logo após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes justificar em nota seus encontros com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a instituição confirmou formalmente as palavras do ministro. Em seu site oficial, o BC afirmou:

“O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky.” A norma foi aplicada contra o magistrado e membros de sua família pelo governo dos Estados Unidos em julho e revogada neste mês.

A nota de Moraes foi veiculada em resposta à reportagem da colunista Malu Gaspar, em seu blog no jornal O Globo, na segunda-feira (22/12). Segundo a jornalista, Moraes teria procurado, ao menos quatro vezes, o presidente do BC para interceder em favor do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Dos quatro encontros, três teriam sido presenciais e um por telefone.

A possível influência do ministro seria grave, segundo apontou a jornalista, porque o Banco Master teria contratado, por R$ 129 milhões, o escritório Barci de Moraes Advogados, pertencente à esposa do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Leia a nota de Moraes na íntegra:

“O ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil e o presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú.

Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito.”

Após a reportagem de Malu Gaspar, congressistas já falam em coletar assinaturas para a abertura de uma CPI do Banco Master.

Contrato

O contrato do Banco Master com a esposa de Moraes, segundo a jornalista, renderia ao escritório pagamentos de R$ 3 milhões mensais e incluía a defesa dos interesses do Banco Master em diversas instituições, inclusive o Congresso Nacional e o Banco Central.

Em julho deste ano, Moraes teria pedido um encontro com Galípolo e solicitado que o chefe do Banco Central aprovasse a operação com o BRB. Moraes teria dito que gosta de Vorcaro, segundo a apuração de Malu Gaspar.

Galípolo teria falado a Moraes que a autarquia, responsável pela regulação do sistema financeiro, já havia descoberto fraudes na operação do Master. Moraes teria concordado que, havendo fraude, seria inviável a operação de venda.

Após a publicação da reportagem, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou a coleta assinaturas para uma CPI sobre o assunto.

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