Bancada eleita do PSol vai à Justiça contra aumento para Bruno Covas

Prefeito sancionou reajuste de 46% do próprio subsídio, aumentando o teto do funcionalismo de São Paulo capital para R$ 35,4 mil

atualizado 24/12/2020 17:15

Bruno covas eleicoes sao paulo sp prefeito 2020Fábio Vieira/Especial Metrópoles

São Paulo – A bancada eleita de vereadores do PSol anunciou nesta quinta-feira (24/12) que irá tentar barrar na Justiça o reajuste de 47% no subsídio (termo para salário de agente político eleito ou indicado) do prefeito Bruno Covas (PSDB).

Covas sancionou nesta quinta-feira (24/12) lei que aumenta o próprio salário de R$ 24.175,22 para R$ 35.462,00. Além desse reajuste, Bruno Covas também sancionou aumento para seu vice (receberá R$ 31.915,80, uma elevação de 47%) e secretários (que receberão R$ 30.142,70, um aumento de 56%). Reajustes serão aplicados a partir de janeiro de 2022.

“Vamos entrar com uma Ação Popular na Vara da Fazenda, pedindo nulidade do aumento. Enquanto tenta aumentar seu próprio salário em mais de 46%, Bruno Covas e seu padrinho João Doria estão retirando o direito à gratuidade no transporte público para idosos entre 60 e 65 anos. Não permitiremos essa injustiça“, declarou a vereadora eleita Luana Alves (PSol).

Além de Alves, assinarão o pedido as futuras parlamentares Erika Hilton, Silvia Ferraro e Elaine Mineiro, o deputado estadual Celso Giannazi e o vereador reeleito Toninho Vespoli, todos do PSol.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, com o fim da gratuidade do transporte para pessoas até 64 anos, o governo economizará cerca de R$ 200 milhões.

Em outro estudo, enviado para a Câmara Municipal de São Paulo, a prefeitura afirmou que o impacto no orçamento dos reajustes nos salários de prefeito e equipe será de R$ 78 milhões a partir de 2022.

Todavia, uma análise feita pelo gabinete do vereador José Police Neto (PSD) estima que 1.873 servidores ativos e inativos da cidade também serão beneficiados pelo novo teto, o que poderia representar, segundo as contas do vereador, um efeito cascata, tomando cerca de R$ 500 milhões do orçamento.

“Não é a resposta que a população esperava receber do prefeito Bruno Covas. Em plena pandemia, com a crise econômica pesando pra todo mundo. A remuneração do prefeito funciona como um teto, um regulador responsável por impedir qualquer outro salário acima do dele, hoje em R$ 24 mil. Ou seja, esse aumento de 46% desencadeará um efeito cascata e consumirá até meio bilhão de reais. Daria pra pagar três vezes o auxílio emergencial pago a 480 mil famílias paulistanas na semana passada. Votei contra”, afirmou Police Neto.

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