Áudios e relatos indicam revista de celulares e censura entre venezuelanos. Ouça
Revista em celulares seria usada para identificar opositores ao regime venezuelano
atualizado
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Pacaraima (RR) – Relatos obtidos pelo Metrópoles indicam que grupos armados e facções alinhadas ao governo venezuelano estariam realizando abordagens aleatórias em cidades da Venezuela para revistar celulares de civis. O objetivo seria identificar mensagens com críticas ao governo, prática que, segundo as informações, tem levado a prisões.
Segundo Arbeis Ramirez, líder religioso que atua no Brasil e na Venezuela, policiais, guardas e militares venezuelanos estariam abordando civis para revistar celulares.
“Eles pegam os telefones para ver se tem alguma coisa que fale de traição, de ditadura ou qualquer crítica. Se encontrarem, dão ordem de prisão. Estão prendendo pessoas por oito, dez anos. Dizem que quem tem algo contra o governo no telefone é traidor da pátria”, afirma.
Imigrantes mostraram à reportagem uma mensagem que circula em grupos de WhatsApp e redes sociais [foto abaixo]. O texto viral orienta os usuários a censurarem as próprias comunicações, evitando o envio de mensagens confidenciais ou piadas, sob a alegação de que qualquer conteúdo poderá ser utilizado juridicamente contra o emissor.

“Tenha cuidado para não enviar mensagens desnecessárias ou informações que sejam contrárias às leis e à moral. Tudo o que você escrever ou disser pode ser usado contra você”, alerta o texto em espanhol.
Captura e acusações contra Nicolás Maduro
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- Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados no último sábado (3/1) por forças dos EUA e levados a Nova York para julgamento.
- A denúncia afirma que Maduro comandou por mais de 20 anos uma rede criminosa no Estado venezuelano para enviar cocaína aos EUA.
- Também foram acusados Diosdado Cabello, ministro do Interior da Venezuela; Cilia Flores, esposa do presidente; o deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do ditador venezuelano; e outros aliados do regime, apontados como integrantes ou facilitadores da suposta organização criminosa
- As acusações incluem narcoterrorismo, tráfico e lavagem de dinheiro, com penas de 20 anos a prisão perpétua. Maduro se declara inocente.
Francis Ortiz, venezuelana que vive há três anos em Pacaraima, afirma que familiares em Caracas evitam qualquer exposição. “Lá é proibido falar desses temas. Não pode tirar foto, não pode gravar vídeo. Nada disso”, conta. Segundo ela, informações sobre episódios de violência circularam apenas por áudios temporários. “Os telefones estão sendo rastreados”, diz.
Ainda de acordo com a recepcionista, agentes leem conversas em aplicativos e verificam conteúdos armazenados nos aparelhos. Caso encontrem mensagens consideradas “contra o governo”, a pessoa é detida sob acusação de crime político.
O temor da fiscalização levou moradores a adotar estratégias de autoproteção, como apagar conversas, evitar registros em vídeo e utilizar mensagens com visualização única.
Segundo o cientista político venezuelano Adrián Padilha, é comum o compartilhamento de mensagens alarmistas nas redes sociais venezuelanas. Ele alerta que as informações costumam ser falsas e fazem parte de uma estratégia de guerra informacional.
De acordo com Padilha, notícias falsas e conteúdos fora de contexto buscam gerar medo e ansiedade em cenários de conflito. “Isso é comum em situações de confronto e faz parte do que se chama guerra não convencional”, explica.















