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Brasil

Ata do Copom reforça cautela sobre juros por causa da guerra

Documento expõe argumentos para decisão sobre taxa reduzida na semana passada de 14,75% para 14,5%

05/05/2026 08:21, atualizado 05/05/2026 09:36
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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Imagem colorida da Fachada do Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (4/5), a ata referente à reunião de abril. O comunicado oficial da última reunião reforça o tom de cautela do colegiado.

Na última ata, o colegiado afirmou que a decisão de reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, o que levou o índice para 14,50% ao ano, é compatível com o cenário atual, mas sinalizou ficar de olho nos desdobramentos do conflito para as tomadas de decisões futuras.

“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz trecho da ata.

Entenda a situação dos juros no Brasil

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
  • Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.

Ao mesmo tempo que demonstra preocupação com o impacto inflacionário decorrente da guerra no Oriente Médio, o Copom defende que a decisão tomada foi adequada.

“Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preço”, diz o Copom na ata.

Sobre novos cortes, o Copom foi evasivo na ata. O colegiado explicou a última decisão e reforçou que ela estava em linha com a ata anterior, mas que as decisões vão depender da incorporação de informações sobre o andamento da economia, inclusive fatores externos.

“O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, aponta o Copom.

Expectativas do mercado para a Selic

Analistas do mercado financeiro, consultados semanalmente no relatório Focus, estimam que a taxa básica de juros, a Selic, feche 2026 em 13% ao ano. Ou seja, não há expectativa de novos aumentos na taxa. As estimativas para os próximos anos também seguem as mesmas, confira abaixo:

Para 2027, a previsão da taxa de juros é de 11% ao ano.
Para 2028, a estimativa continua em 10% ao ano.
Para 2029, a estimativa é de 10% ao ano.

Próximas reuniões do Copom:

  • 16 e 17 junho;
  • 4 e 5 de agosto;
  • 15 e 16 de setembro;
  • 3 e 4 de novembro;
  • 8 e 9 de dezembro.

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