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Brasil

Aras resgata acordo de delação com Tacla Duran sobre amigo de Moro

Negociação atinge o advogado Carlos Zucolotto em relação a recebimentos de propina em acordo com a Lava Jato em 2016

03/06/2020 09:33, atualizado 03/06/2020 14:10
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O procurador-geral da República, Augusto Aras, retomou a negociação de um acordo de delação premiada com o advogado Rodrigo Tacla Duran, que atinge o advogado Carlos Zucolotto, amigo do ex-ministro da Justiça Sergio Moro. A informação é do jornal O Globo.

Duran afirmou ter pagado propina ao advogado para obter vantagens em seu acordo de delação premiada com a Lava Jato em 2016. Duran era operador financeiro da Odebrecht em contas no exterior e teve seu acordo recusado por suspeita de omissão de atos ilícitos e ocultação de recursos.

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Aras deixou de fora da negociação a força-tarefa da Lava Jato de Curitiba, responsável por investigar os crimes de Tacla Duran e que conhece todo o histórico envolvendo sua primeira tentativa, frustrada, de acordo.

As conversas, porém, avançaram mais recentemente e, no início de maio, foi assinado um termo de confidencialidade para formalizar a fase preliminar das tratativas de acordo.

Fontes próximas a Tacla Duran afirmam que ele decidiu procurar Aras para uma nova tentativa de acordo por acreditar que o novo PGR não está alinhado com os procuradores da Lava Jato e, por isso, estaria disposto a ouvi-lo.

Caso o acordo se concretize, será a segunda delação de Augusto Aras desde que assumiu o comando da PGR, em setembro do ano passado. Antes, o procurador fechou acordo com o empresário Eike Batista, mas a ministra Rosa Weber não concordou com os termos e devolveu a colaboração para que fossem feitos ajustes.

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Atual procurador-geral da República, Augusto Aras
Augusto Aras, procurador-geral da República
Augusto Aras
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Para o PGR, Augusto Aras, Salles apenas "externou sua posição" sobre as diretrizes para políticas públicas do atual governo

Marcos Brandão/Agência Senado
Nota

Em nota, Moro afirmou que “os relatos de Rodrigo Tacla Duran sobre a suposta extorsão que teria sofrido na Operação Lava Jato, com envolvimento de um amigo pessoal, Carlos Zucolotto Júnior, já foram investigados na Procuradoria-Geral da República e foram arquivados em 27/09/2018, com parecer do então Vice-Procurador-Geral da República”, escreveu.

O ex-ministro da Justiça também afirmou que está disponível para prestar esclarecimentos sobre o fato, mas se disse perplexo e indignado que “tal investigação, baseada em relato inverídico de suposto lavador profissional de dinheiro, e que já havia sido arquivada em 2018, tenha sido retomada e a ela dado seguimento pela atual gestão da Procuradoria-Geral da República logo após a minha saída, em 22/04/2020, do Governo do Presidente Jair Bolsonaro”, continuou.

“Lamento, outrossim, que mais uma vez o nome de um amigo seja utilizado indevidamente para atacar a mim e o trabalho feito na Operação Lava Jato, uma das maiores ações anticorrupção já realizadas no Brasil”, completou.