Após viagem a Israel, Brasil anuncia parceria para testar spray nasal

Anúncio foi feito por assessor especial da Presidência. Ainda não foram indicadas datas para início dos testes em território nacional

atualizado 10/03/2021 18:30

Twitter/Reprodução

O governo brasileiro fechou acordo para testar a segunda e a terceira fases do spray nasal EXO-CD24 no Brasil. A informação foi antecipada pelo assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Filipe G. Martins, no Twitter.

Martins integrou a missão diplomática brasileira enviada a Israel no último sábado (6/3) para o conhecer o spray, que está sendo estudado para tratamento da Covid-19. A comitiva enviada ao país foi composta por 10 pessoas e chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

O medicamento é a nova aposta do governo federal para o combate à Covid-19 – o composto ainda não tem eficácia comprovada contra a doença causada pelo novo coronavírus. A medicação, desenvolvida pelo Centro Médico Ichilov de Israel, originalmente foi apresentada para combater o câncer de ovário.

“Abrimos caminho para que o Brasil seja o principal parceiro na 2ª e na 3ª fase dos testes do EXO-CD24, bem como no desenvolvimento, aprimoramento e produção deste spray nasal que vem se mostrando muito promissor no tratamento de casos graves de Covid-19”, escreveu Filipe Martins.

Ainda não foram indicadas datas para início dos testes do spray em território brasileiro.

Na primeira fase de testes, a substância EXO-CD24 foi administrada em 30 pacientes cujas condições eram moderadas ou ruins, e todos os 30 se recuperaram – 29 deles entre três e cinco dias.

O estudo conduzido em Israel foi preliminar e não comparou a droga a um placebo. Também não esclareceu a idade dos envolvidos no experimento. Por isso, ainda são necessários mais testes para comprovar a eficácia da droga contra o novo coronavírus.

Outros acordos

Segundo o assessor especial, também foi assinado um acordo de cooperação com o Instituto Hadassa nos testes do medicamento Allocetra, para casos moderados e graves da Covid-19.

Martins ainda anunciou que será estabelecido um grupo de trabalho com o Instituto Weizmann para a cooperação em mais de 65 linhas de pesquisa na área de enfrentamento à pandemia, incluindo tecnologias de testagem, de previsão de tendências na propagação do vírus, de medicamentos e de vacinas.

Vacinas

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também acordou com o governo israelense o compartilhamento de dados sobre o uso da vacina da Pfizer/BioNTech em Israel. Além das doses da Pfizer, o país contou, do mesmo modo, com vacinas da Moderna. Segundo o assessor internacional do Planalto, a iniciativa tem a finalidade de garantir maior segurança para os brasileiros que optarem por se vacinar.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o registro definitivo do imunizante da Pfizer. No entanto, o governo brasileiro ainda negocia a aquisição de doses da vacina da farmacêutica norte-americana.

O presidente Bolsonaro se reuniu, na segunda-feira (8/3), com representantes da farmacêutica norte-americana para negociar a antecipação de 5 milhões de doses do imunizante, totalizando 14 milhões de unidades da proteção contra a doença no primeiro semestre de 2021.

Israel, por outro lado, está com sua campanha de vacinação em estágio avançado. Segundo o site Our World in Data, 58,2% da população israelense já recebeu ao menos uma dose da vacina.

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