
Após ouvir aliados, Lula reavalia estratégias e nomes do QG para o 2º turno
Petista quer intensificar campanha no Nordeste, atrair eleitores que se abstiveram e enfrentar Flávio Bolsonaro nos debates
06/10/2026 04:30

Após terminar o primeiro turno das eleições presidenciais em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recalcula as estratégias para o segundo turno e avalia mudanças na composição da coordenação de campanha para a nova fase da eleição.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56,1 milhões de votos (47,03% do total), contra 53,8 milhões de Lula (45,16%). A diferença foi de 2,2 milhões de votos.
Nessa segunda-feira (5/10), em Brasília, o petista se reuniu com integrantes da campanha, caciques de partidos aliados e candidatos apoiados por ele que disputaram eleições. O objetivo foi ouvir sugestões e rediscutir planos táticos para os próximos 19 dias.
O encontro serviu para estabelecer metas. A orientação geral, segundo participantes, foi buscar ampliar a votação de Lula no Nordeste, seu reduto eleitoral histórico. Em todos os estados da região, o petista teve desempenho inferior ao registrado em 2022.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDe acordo com fontes, todos os governadores dos estados apoiados por Lula que foram reeleitos em primeiro turno se comprometeram a impulsionar a campanha do presidente, mesmo com a vitória estadual já garantida.
As maiores perdas foram registradas no Maranhão (de 68,84% para 63,91%, queda de 4,94 pontos percentuais) e na Bahia (de 69,73% para 66,04%, queda de 3,68 pontos).

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Ver todasTentar reduzir o índice de abstenção e convencer quem votou nulo ou em branco também está entre os focos da campanha. Durante a reunião, segundo relatos, Lula manifestou preocupação com o número de abstenções e sinalizou que deve ampliar o estímulo à participação de eleitores idosos.
No primeiro turno, 21% dos eleitores não compareceram às urnas. São 33,4 milhões de pessoas — quase dez vezes a diferença de votos entre Flávio e Lula. Essa foi a maior abstenção já registrada em um primeiro turno desde 1998. Outros 6 milhões de eleitores votaram em branco ou nulo, totalizando 4,8% dos votos.
O presidente também mudará a postura em relação aos debates presidenciais. Lula chegou à votação de domingo (4/10) sem ter participado de nenhum confronto entre presidenciáveis. Ao longo da campanha, o petista evitou esse formato diante do receio de virar alvo dos demais candidatos convidados, todos do campo da direita. Como reação, Flávio também não participou.
Agora, ele quer participar de um confronto direto com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A disposição de Lula é participar de todos os debates até o segundo turno. “Agora sim é importante ter debate na televisão. Agora é ‘tête-à-tête'”, disse ele durante a reunião.
No próximo domingo (11/10), tanto a TV Band quanto a TV Record promovem debates presidenciais. Com o conflito de datas, uma das emissoras precisará cancelar ou adiar a data para que o petista compareça. O último confronto televisivo entre os dois candidatos será o da TV Globo, marcado para 25 de outubro, dois dias antes do segundo turno.
Já em relação à comunicação da campanha, temas como soberania, minerais críticos, terras raras e o fim das bets devem continuar aparecendo em peças publicitárias.
Novas peças de comunicação, porém, devem explorar uma “guerra de CPF” entre Lula e Flávio, insistindo na comparação entre feitos, histórico e biografia do petista e do bolsonarista. A coordenação de campanha acredita que a maior parte dos eleitores ainda não entendeu quem é Flávio Bolsonaro.
O presidente ouviu a opinião de diversos aliados durante a reunião, inclusive sobre comunicação. O governador reeleito do Piauí com 70% dos votos, Rafael Fonteles (PT), sugeriu que Lula grave mais vídeos em formato selfie e produza conteúdos direcionados aos estados. Mesmo com o conselho, o presidente disse que não vai abrir mão de fazer campanha no estilo dele, que prioriza comícios e o corpo a corpo com o eleitor.
2º turno
- Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos e Lula marcou 45,16%, fazendo o embate ir para o segundo turno.
- A diferença é de 2.224.965 votos a favor de Flávio, ou de 1,87%. A nova votação será em 25 de outubro.
- O resultado prolonga por mais três semanas uma disputa que recolocou PT e bolsonarismo frente a frente pelo comando do país, mas com uma mudança no lado da direita.
- Fora das urnas, Jair Bolsonaro deu lugar ao filho, escolhido para representar o grupo político da família na corrida pelo Palácio do Planalto.
- Aos 80 anos, Lula tenta conquistar um inédito quarto mandato como presidente. Ex-metalúrgico e ex-líder sindical, ele comandou o país entre 2003 e 2011 e voltou ao Planalto em 2023, após derrotar Bolsonaro nas eleições de 2022.
- Flávio Bolsonaro, de 45 anos, disputa o Planalto pela primeira vez. Formado em Direito, ele iniciou a carreira política na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde cumpriu quatro mandatos, e está no Senado desde 2019.
Mudanças na comunicação
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, Lula avalia chamar o publicitário baiano João Santana para a equipe de marketing da campanha.
Atualmente, o marketing da campanha de Lula é comandado pelo publicitário Raul Rabelo. Ele é sócio do atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, que também teve influência na estratégia de comunicação da campanha.
Uma ala do PT e de ministros do governo defende que o presidente substitua Raul por João Santana, caso o novo marqueteiro aceite atuar na campanha do petista no segundo turno. Outros aliados, porém, pregam apenas o reforço da equipe, com a chegada de mais um publicitário baiano.
Uma parte dos aliados, no entanto, entende que a coordenação nacional da campanha não precisa de novos nomes. Para esse grupo, o que deve ser reforçado são as coordenações estaduais da campanha nacional, fortalecendo a atuação na ponta, diretamente com o eleitor.
João Santana foi responsável pelo marketing das campanhas vitoriosas de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014. Nas eleições de 2026, o publicitário atuou nas campanhas de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará e de ACM Neto (União Brasil) ao governo da Bahia. Nenhum dos dois, porém, conseguiu se eleger.
Além de uma eventual troca no comando do marketing, aliados defendem que Lula faça mudanças na Secom. Um grupo de aliados já sugeriu, inclusive, o nome do apresentador José Luiz Datena (PSB) para comandar a pasta. Datena disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo, mas não conseguiu se eleger.






















