Após negar, farmácia admite que áudio preconceituoso é de funcionária

Em áudio sobre contratação de pessoas, coordenadora da rede pede que não admitam pessoas gordas, feias e "viados que desmunhequem"

atualizado 22/10/2021 18:47

Farmácia São JoãoReprodução/Site oficial

Após a Polícia Civil de Imbé, no Rio Grande do Sul (RS), confirmar que o áudio de conteúdo preconceituoso que viralizou nas redes sociais é de uma funcionária da São João, a farmácia recuou e admitiu, nesta sexta-feira (22/10), tratar-se de ato isolado da colaboradora, sem autorização de seus superiores.

“Foi realizada averiguação dos fatos, com respeito ao contraditório e a ampla defesa, colhido os depoimentos internos e, ao final, constatou-se que o áudio foi enviado por uma colaboradora sem o conhecimento da direção, em um canal paralelo, não reconhecido oficialmente pela empresa. Foi um ato totalmente isolado de uma colaboradora, que não condiz com as práticas da empresa”, destaca nota divulgada pela rede.

O nome da funcionária não foi divulgado. No áudio, que  é alvo também de investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT), a coordenadora faz recomendações sobre como deve ser o processo de seleção de novos colaboradores.

“Uma observação: estou ligando para as lojas para liberar as contratações. Porém, vocês sabem, né? que feio e bonito é mesmo preço, gente. Então, vamos cuidar muito nas nossas contratações. Pessoas muito tatuadas, pessoas muito gordas, vocês sabem que a empresa não gosta. Cuidem das aparências. Se pegar alguém “viado”, tem que ser uma pessoa alinhada que não vire a mão, não desmunheque. Vamos cuidar as equipes que a gente vai pegar. Vamos pegar gente com aparência boa”, diz a mulher em áudio vazado.

Confira áudio, vazado nas redes sociais e reproduzido em grupos de RH do LinkedIn por meio da “TV Afiada”:

 

De acordo com a polícia, a funcionária tinha vínculo empregatício há 13 anos com a farmácia e utilizou telefone funcional para enviar o áudio. Ela deve responder pelo crime de homofobia. A pena prevista é de dois a cinco anos de reclusão.

A funcionária ainda não foi ouvida pela polícia, o que deve ocorrer apenas na próxima semana. O caso teve grande repercussão nas redes sociais e gerou revolta entre os internautas.

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