Após Jojo e políticos, Michelle Bolsonaro entra em polêmica sobre Ypê
Apoiadores de Bolsonaro passaram a afirmar, sem apresentar provas, que a suspensão da Anvisa teria motivação política
atualizado
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou, nesse sábado (9/5), uma imagem com viés positivo de um frasco de detergente da marca Ypê em meio à mobilização de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais em defesa da empresa.
O ato ganhou ainda mais força após parlamentares, influenciadores e aliados do ex-presidente passarem a compartilhar fotos e mensagens de apoio à fabricante, mesmo depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciar a suspensão de lotes de produtos da empresa por “desvio em procedimento de controle de qualidade”.

A medida atingiu lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos pela Química Amapo. Segundo a Anvisa, inspeções identificaram falhas nos controles de qualidade e risco de contaminação microbiológica em produtos com numeração final 1.
Após decisão da empresa, apoiadores de Bolsonaro passaram a afirmar, sem apresentar provas, que a suspensão teria motivação política.
Nas redes sociais, usuários sugeriram que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria utilizando a Anvisa para perseguir empresários alinhados a Bolsonaro.
Depois disso, a narrativa se intensificou. Bolsonaristas resgataram informações sobre doações eleitorais feitas por membros da família Beira, responsável pela empresa, à campanha presidencial de Bolsonaro em 2022.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que Jorge Eduardo Beira, vice‑presidente de operações, realizou uma doação de R$ 500 mil. No total, três membros da família aportaram R$ 1 milhão.
Políticos e influenciadores passaram, então, a incentivar a compra de produtos da marca.
O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, publicou um vídeo conclamando consumidores a apoiarem a empresa. Já a cantora Jojo Todynho, que é alinhada à direita, também fez postagens criticando a suspensão dos produtos.
Anvisa reforça alerta
Apesar do impacto político sobre o caso, a Anvisa reiterou a recomendação de que os consumidores não usem os produtos afetados pela medida.
O Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo declarou que o risco persiste enquanto as avaliações técnicas continuam em curso.
Em nota, a Anvisa afirmou que a decisão foi baseada em critérios técnicos e em inspeções realizadas em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária.
