Caso Ypê provoca reação em eleitores de direita na internet. Entenda
Suspensão de lotes da Ypê vira disputa política nas redes após apoiadores de Bolsonaro acusarem perseguição à empresa
atualizado
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O caso envolvendo o recolhimento e a suspensão de lotes de produtos da marca Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por risco de contaminação microbiológica, virou assunto político nas redes sociais. A repercussão ganhou força após parte de internautas de direita relacionar a decisão ao histórico de doações feitas pelos donos da empresa à campanha de Jair Bolsonaro em 2022.
“Estão tentando denegrir a imagem desta empresa por questões políticas. Deram um tiro no pé, agora somos todos Ypê”, escreveu uma pessoa na rede social X.
“Usando produtos Ypê com lote que a Anvisa divulgou estar contaminado há mais de uma semana sem nenhuma intercorrência. A partir de agora até o lava roupas será da Ypê. Cansada de viver nesse país”, afirmou outra.
Neste sábado (9/5), o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo (PL-SP), foi às redes sociais para fazer uma campanha a favor da empresa Ypê. ““Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com essa empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê. Quem tem produtos Ypê, posta no Instagram, marca a Ypê”, disse.
A atitude de Mello Araújo foi seguida por outros políticos ligados ao bolsonarismo. É o caso do deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), que deixou implícito nas redes sociais que não se deve confiar na “Anvisa de Lula”.
“Seguindo o vídeo do nosso querido Coronel Mello Araújo, vice-prefeito de São Paulo, aqui em casa só produto Ypê, que é gente séria, gente direita, gente bolsonarista e, por isso, está sendo perseguida”, afirmou Bove nas redes sociais.
Outro político a entrar no tema foi o senador Cleitinho (Republicanos-MG). “Quero fazer um desafio ‘pra’ ela poder ir na casa de cada brasileiro poder [sic] fiscalizar a bucha de cada brasileiro. Isso é importante também viu, Anvisa?”, declarou o parlamentar nas redes sociais.
“Foi um lote que ‘tá’ problema, que tem que ser fiscalizado sim, que a saúde ‘tá’ sempre em primeiro lugar, mas vale com uma coincidência também [sic] que essa empresa, a Ypê, ela doou para a campanha do Bolsonaro. É só uma coincidência?”, indagou.
O que diz a Anvisa
A Anvisa, porém, afirma que a decisão da última terça-feira (5/5) segue o princípio de proteção à saúde e foi baseada em análise de risco sanitário. Segundo a agência, inspeções realizadas em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária identificaram falhas nos sistemas de controle de qualidade e nos processos de fabricação.
As irregularidades, de acordo com a agência de vigilância, comprometem as boas práticas de fabricação e podem representar risco à saúde. Entre as preocupações, está a possibilidade de contaminação microbiológica, com presença de microrganismos que não deveriam estar nos produtos.
Recolhimento e a suspensão de lotes
A medida vale para detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes fabricados na unidade da Química Amparo, no interior de São Paulo. O recolhimento envolve todos os lotes com a numeração terminada em 1.
Confira abaixo os itens da Ypê atingidos pela medida:
- LAVA LOUÇAS YPÊ CLEAR CARE.
- LAVA LOUÇAS COM ENZIMAS ATIVAS YPÊ.
- LAVA LOUÇAS YPÊ.
- LAVA LOUÇAS YPÊ CLEAR CARE.
- LAVA LOUÇAS YPÊ TOQUE SUAVE.
- LAVA-LOUÇAS CONCENTRADO YPÊ GREEN.
- LAVA-LOUÇAS YPÊ CLEAR.
- LAVA-LOUÇAS YPÊ GREEN.
- LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ COMBATE MAU ODOR.
- LAVA ROUPAS LÍQUIDO.
- TIXAN YPÊ CUIDA DAS ROUPAS.
- LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ ANTIBAC.
- LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ COCO E BAUNILHA.
- LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ GREEN.
- LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ EXPRESS.
- LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ POWER ACT.
- LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ PREMIUM.
- LAVA ROUPAS TIXAN MACIEZ.
- LAVA ROUPAS TIXAN PRIMAVERA.
- DESINFETANTE BAK YPÊ.
- DESINFETANTE DE USO GERAL ATOL.
- DESINFETANTE PERFUMADO ATOL.
- DESINFETANTE PINHO YPE.
- LAVA ROUPAS TIXAN POWER ACT.
Em um primeiro momento, foi orientado que os consumidores que tivessem em casa produtos dos lotes afetados interrompessem o uso imediatamente.
Nessa sexta-feira (8/5), entretanto, a Ypê conseguiu suspender temporariamente na Justiça a decisão da Anvisa, até um novo pronunciamento da agência reguladora.
Após o desdobramento, a entidade estatal divulgou comunicado recomendando o não uso dos produtos mesmo diante da decisão.




