Após ex matar seus filhos, mulher se torna ativista contra a violência
O que poderia fazer qualquer pessoa desistir de viver, foi a razão para tornar Barbara Penna uma mulher mais forte

A goiana Barbara Penna tinha 19 anos quando uma tragédia mudou totalmente os rumos da sua vida. Depois de viver uma relação abusiva com o ex-namorado, João Moojen Neto, então com 22 anos, ela estava separada, mas, como várias mulheres que sofrem violência doméstica, isso não diminui os riscos que passava.
Os dois tinham dois filhos, Isadora, de 2 anos, e Henrique, de 3 meses. Em depoimento à revista Cláudia, Barbara relembrou o dia 7 de novembro de 2013, quando João matou as crianças queimadas e também tentou matá-la. “Antes do crime, João me disse que queria ver nossos filhos e acreditei. Como sempre pensei que não poderia privá-los da convivência com o pai e achava que ele tinha de amadurecer e assumir suas responsabilidades, levei-os para encontrá-lo”, contou.
Mas eles começaram a discutir. Cansada de tentar esperar alguma mudança, Barbara desistiu de conversar e adormeceu no sofá. “Acordei um tempo depois com o João me espancando, gritando que ia me matar. Foi desesperador. Ele tem quase 2 metros de altura, me arrastava pelos cabelos e batia minha cabeça no chão. Eu não conseguia fugir. Desmaiei”.
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Ver todasPorém, não havia mais o que fazer. João matara os próprios filhos, mesmo que ainda tivesse tentado culpar Barbara pelo crime cruel que cometeu. A mulher ficou com 40% do corpo queimado, perdeu 60% da visão do olho direito e metade do couro cabeludo. Teve calcanhares, tornozelos e joelhos quebrados. Três centímetros do fêmur entraram na bacia, três vértebras da coluna foram esmagadas e houve afundamento de crânio. Ainda teve uma infecção generalizada e um abscesso no fígado.
“Só descobri que meus filhos não tinham resistido depois de quase quatro meses de internação, incluindo 45 dias de coma. O senhor Ênio, que tinha 72 anos e morava no prédio, tentou resgatá-los e também morreu”.
Ativismo
O que poderia fazer qualquer pessoa desistir de viver, foi a razão para tornar Barbara uma mulher mais forte. Atualmente com 23 anos, ela não apenas se tornou uma ativista contra a violência doméstica, como casou-se novamente e hoje é mãe de Luisa.
“Eu tinha todos os motivos para nunca mais querer um relacionamento amoroso. Mas acredito que meus anjinhos, Isadora e Henrique, colocaram Robson no meu caminho. Além de elevar minha autoestima e ajudar na minha recuperação, ele me deu o que sempre sonhei: uma família”.
Sua luta por Justiça acontece também porque João ainda não foi julgado. Recentemente, ela criou o Instituto Barbara Penna, em Porto Alegre (RS), onde mora, focado no combate à violência de gênero e no empoderamento feminino. “Vamos oferecer às vítimas o apoio que nunca tive para sair de um relacionamento abusivo, reunindo diversos tipos de atendimento – como psicológico, jurídico e profissionalizante. Já temos parcerias com setores do poder público e da iniciativa privada”.
















