Após deixar Israel, prefeitos criticam Itamaraty: “Desacordo”
Delegação brasileira de prefeitos estava em missão oficial em Israel quando teve início a troca de ataques entre o país e o e Irã
atualizado
Compartilhar notícia

A delegação brasileira de prefeitos que estava em missão oficial em Israel durante a última semana, quando começou a troca de ataques entre o país e o e Irã, divulgou nas redes sociais uma nota oficial para manifestar “profundo desacordo e surpresa” com texto divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, nessa segunda-feira (17/6). O comunicado do Itamaraty afirma que o grupo foi para Israel mesmo com alerta ativo contra viagens.
De acordo com a nota da delegação, que foi postada no perfil do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, o texto em questão afirma que o governo brasileiro não tinha conhecimento da missão e que esta teria ocorrido em “desacordo” com recomendações consulares emitidas em 2023.
O grupo, por sua vez, afirma que a pasta realizou uma reunião on-line no sábado, dia 14 de junho, quando diplomatas confirmaram ter sido devidamente informados, com antecedência, sobre a missão.
“Se a representação diplomática foi previamente avisada, como reconheceram seus próprios representantes, questionamos a ausência de qualquer advertência formal ou impedimento à realização da missão”, escreveu a delegação na nota. “Mais grave ainda é que, em meio a um cenário de guerra, quando autoridades brasileiras — eleitas e em pleno exercício de suas funções — se encontram sob risco e buscam o apoio de seu país, recebam como resposta um comunicado que mais se assemelha a uma reprimenda do que a uma manifestação de solidariedade e proteção.”
O texto questiona que o fato de o Itamaraty e da representação diplomática brasileira em Israel dizerem não terem conhecimento do convite feito aos prefeitos. “Causa-nos ainda maior estranhamento”, afirmam.
Apesar disso, a delegação, ao mesmo tempo que manifesta seu repúdio ao comunicado do Ministério das Relações Exteriores, reconhece e agradece o esforço para garantir a segurança de seus membros.
“Ao mesmo tempo em que manifestamos nosso repúdio ao teor e ao momento da nota emitida pelo Itamaraty, reconhecemos e agradecemos o valioso apoio que nos tem sido prestado pelas equipes diplomáticas brasileiras e dos governos locais em Tel Aviv, na Jordânia e na Arábia Saudita, cuja atuação humanitária tem sido essencial para garantir, com segurança, a remoção da delegação da zona de conflito, ainda em curso”, finaliza o texto, assinado da Arábia Saudita.
Parte do grupo deixou Israel nessa segunda-feira (17/6), após atravessar a fronteira com a Jordânia.
Gestores que deixaram Israel nessa segunda:
- Francisco Nélio Aguiar – tesoureiro da CNM
- Álvaro Damião – prefeito de Belo Horizonte (MG)
- Márcio Lobato – secretário municipal de Segurança Pública de Belo Horizonte (MG)
- Davi de Matos – chefe executivo do Centro de Inteligência, Vigilância e Tecnologia de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Civitas)
- Welberth Porto – prefeito de Macaé (RJ)
- Claudia da Silva – vice-prefeita de Goiânia (GO)
- Cícero de Lucena – prefeito de João Pessoa (PB)
- Janete Aparecida – vice-prefeita de Divinópolis (MG)
- Gilson Chagas – secretário de Segurança Pública de Niterói (RJ)
- Johnny Maycon – prefeito de Nova Friburgo (RJ)
- Francisco Vagner – secretário de Planejamento de Natal (RN)
- Flávio Guimarães – vereador do Rio de Janeiro (RJ).
