Após captar R$ 12 bilhões, Correios buscam novo empréstimo com bancos
O presidente dos Correios, Emmanuel Rondon, afirmou nesta quinta-feira (23/4) que está conversando com os bancos para possíveis aportes
atualizado
Compartilhar notícia

Após garantir um empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025, os Correios seguem em busca de novas fontes de financiamento para completar o plano de reestruturação financeira da companhia.
A estatal ainda precisa captar cerca de R$ 8 bilhões adicionais para fechar a conta do pacote desenhado pela gestão, que prevê um total de R$ 20 bilhões em recursos para reequilibrar o caixa e sustentar a operação nos próximos anos.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou, nesta quinta-feira (23/4), que a estatal está conversando com os bancos e que a receptividade do mercado financeiro está melhor do que a observada em 2025. Rondon participou de uma coletiva de imprensa para detalhar o balanço financeiro de 2025 da estatal.
“Já estamos conversando com os bancos. Hoje sentimos uma receptividade maior do que no ano passado. Hoje temos conversas mais fáceis do que tivemos no final do ano passado e isso é um bom sinal”, disse.
A busca por recursos ocorre em meio a uma crise financeira prolongada. A empresa acumula prejuízos recorrentes desde 2022 e enfrenta um déficit estrutural bilionário, pressionado por custos elevados e mudanças no setor logístico.
O empréstimo já contratado é considerado central para garantir liquidez no curto prazo. De acordo com a direção da estatal, os recursos permitirão melhorar a operação e recuperar a confiança do mercado.
A expectativa é que os resultados continuem pressionados em 2026, com recuperação mais consistente apenas a partir de 2027, quando o plano de reestruturação deve começar a surtir efeito.
Entre as medidas previstas estão cortes de despesas, revisão da estrutura operacional, venda de ativos e um programa de demissão voluntária que poderia atingir até 10 mil funcionários. A estatal também planeja fechar unidades deficitárias e ampliar receitas por meio de parcerias e novos negócios.
A reestruturação foi desenhada diante de um cenário considerado crítico pela própria empresa. Sem as medidas, a projeção interna indicava prejuízo de até R$ 23 bilhões em 2026.
Com isso, a nova rodada de captação é vista como essencial para dar continuidade ao plano e evitar o agravamento da situação financeira dos Correios nos próximos anos.
Balanço de 2025
Os Correios apresentaram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025. No ano passado, a receita bruta da estatal foi de R$ 17,3 bilhões, no entanto, apenas com relação aos processos judiciais o déficit foi R$ 6,4 bilhões.
“O resultado pode ser explicado por queda de receitas, que pode ser explicado pela dificuldade de caixa, um segundo fator que é muito relevante é o aumento de provisões por passivos judiciais. Outro ponto que é muito relevante é que a despesa geral não para, como temos um custo muito rígido, quando temos uma queda de receita, não temos como diminuir a despesa”, explicou o presidente.
Em 2025, o patrimônio líquido ficou em R$ 13,1 bilhões negativos. Além disso, o Plano de Demissão Voluntária (PDV), que estava previsto na reestruturação, esperava a adesão de cerca de 10 mil funcionários, no entanto, a adesão só atingiu 30% da meta.
