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Eleições 2026Brasil

Apoios e neutralidade: os possíveis rumos dos 9 milhões de votos da 3ª via

Apesar do apoio majoritário ao filho 01 de Jair Bolsonaro, a migração real do eleitor da 3ª via se divide, segundo cientistas

24/10/2026 04:30
Guilherme Prímola/ Arte Metrópoles
Imagem colorida, Apoios e neutralidade: os rumos dos 9 milhões de votos da 3ª via- Metrópoles

Os candidatos à Presidência da 3ª via —Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo)— receberam mais de 9 milhões de votos, cerca de 7,58% do eleitorado. Às vésperas do 2º turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), os presidenciáveis ainda tentam converter o eleitor de fora da polarização e buscam votos.

Entre as vias alternativas, Caiado e Zema manifestaram apoio a Flávio logo após o primeiro turno, enquanto Cury declarou voto na candidatura do senador semanas depois, afirmando que foi “exigente” e cobrou do candidato “compromisso de governar sem ódio e sem vingança”.

Por outro lado, Renan Santos (Missão), manteve linha de neutralidade formal ao liberar a bancada da sigla e os eleitores para votarem conforme as próprias convicções. Conforme revelou o Metrópoles, Renan sequer deve sair para votar neste domingo (25/10).

Apesar do apoio majoritário ao filho 01 de Jair Bolsonaro, a migração real do eleitor da 3ª via se dividiu, aponta a pesquisa da Quaest e especialistas ouvidos pelo Metrópoles.

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Augusto Cury durante sabatina da TV Globo, em agosto. Na entrevista, a proposta de usar drones em ocorrências de violência contra mulheres repercutiu nas redes sociais e virou alvo de memes
Renan Santos afirmou que, se for eleito, vai acabar com a Justiça do Trabalho
O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, em agenda no Rio Grande do Sul.
Romeu Zema é candidato à Presidência pelo Partido Novo
Apoios e neutralidade: os rumos dos 9 milhões de votos da 3ª via
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Apoios e neutralidade: os rumos dos 9 milhões de votos da 3ª via

Guilherme Prímola/ Arte Metrópoles
Augusto Cury durante sabatina da TV Globo, em agosto. Na entrevista, a proposta de usar drones em ocorrências de violência contra mulheres repercutiu nas redes sociais e virou alvo de memes
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Augusto Cury durante sabatina da TV Globo, em agosto. Na entrevista, a proposta de usar drones em ocorrências de violência contra mulheres repercutiu nas redes sociais e virou alvo de memes

Reprodução/TV Globo
Renan Santos afirmou que, se for eleito, vai acabar com a Justiça do Trabalho
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Renan Santos afirmou que, se for eleito, vai acabar com a Justiça do Trabalho

Reprodução/Partido Missão
O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, em agenda no Rio Grande do Sul.
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O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, em agenda no Rio Grande do Sul.

Reprodução/Instagram @ronaldocaiado
Romeu Zema é candidato à Presidência pelo Partido Novo
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Romeu Zema é candidato à Presidência pelo Partido Novo

FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Eleitor da 3ª via rejeita “alinhamento automático”

Embora Cury, Renan, Caiado e Zema se posicionem com ideais de direita/liberais, o Cientista Político Leandro Gabiati explica que os eleitores da 3ª via rejeitam um “alinhamento automático” ao espectro ideológico, no caso, o qual Flávio também diz pertencer.

“Parte desse eleitorado tem uma identidade mais próxima da direita, enquanto outra parte procurou justamente uma alternativa à polarização entre Lula e Flávio. Portanto, não existe uma transferência mecânica desses votos para Flávio, mas ainda consegue captar ao menos 40% deles”, afirmou.

Outro exemplo que indica a autonomia e a recusa de seguir cegamente a orientação do candidato da terceira via, é o eleitorado de Augusto Cury.

Segundo a Quaest, ao menos 48% dos eleitores do escritor podem migrar para Lula, em razão do político ter se posicionado como alternativa à polarização e discurso menos ideológico.

“No caso de Cury, parte do seu eleitorado parece ter escolhido um candidato que se apresentou como alternativa à polarização, com um discurso menos ideológico. Quando essa opção de alternativa desaparece no segundo turno, o eleitor passa a considerar outros critérios, como rejeição, avaliação dos candidatos e expectativas sobre o próximo governo”, afirmou.

Bloco de 33 milhões de ausentes não é fácil de ser captado

A abstenção no 1º turno das eleições atingiu 21,8% do eleitorado apto a votar (cerca de 33,4 milhões de ausentes). O número é um recorde histórico no Brasil ao apresentar o maior índice de abstenções desde 1998.

Conforme Gabiati, o bloco de ausentes não é um eleitorado fácil de ser capturado. Diferente de eleitores da 3ª via, que se dispuseram a votar no 1º turno, o grupo de abstensionistas enfrentam diversos fatores que o fizeram não votar.

“A abstenção envolve fatores diversos, como dificuldades de deslocamento, mudança sem transferência do domicílio eleitoral, estado de saúde, ou ainda desinteresse e insatisfação com a política. Por isso, não podemos considerar os 33 milhões de ausentes como um bloco de eleitores disponíveis”, declarou.

No entanto, o especialista pontua que uma parte destes ausentes — indecisos— podem ser convencidos e que as campanhas devem tentar convencê-lo com estratégias específicas, sem radicalismo e com clareza ao passar a importância de votar.