Anvisa cancela estudo clínico da Precisa para Covaxin

Na sexta-feira (23/7), a agência já havia informado a suspensão. A Covaxin é um dos alvos da CPI da Covid no Senado

atualizado 26/07/2021 19:59

AnvisaMichael Melo/ Metrópoles

A Anvisa publicou, nesta segunda-feira (26/7), o cancelamento definitivo do estudo clínico da vacina Covaxin, solicitado pela empresa Precisa Comercialização de Medicamentos Ltda. Na sexta-feira (23/7), a agência já tinha informado a suspensão.

A agência ainda frisa que a decisão foi tomada após avaliação técnica sobre o fim da autorização da empresa Precisa para representar a vacina no país, o que “inviabiliza o cumprimento da normativa que trata da condução dos estudos clínicos de vacinas no país”.

“O cancelamento envolve os dois processos que fazem parte de um pedido de pesquisa clínica. O primeiro é o que trata do documento de abertura do estudo, o Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento (DDCM), solicitado pela Precisa Comercialização de Medicamentos. O segundo é o que trata do protocolo clínico da pesquisa, o Dossiê Específico de Ensaio Clínico (DEEC), solicitado pela Sociedade Benef Israelitabras Hospital Albert Einstein”, declara a Anvisa.

Documentos falsos

Como noticiado pelo Metrópoles, o laboratório indiano Bharat Biotech diz ter conhecimento de que documentos falsos foram enviados ao Ministério da Saúde. A informação foi divulgada na última sexta, data em que a empresa encerrou acordo com a Precisa Medicamentos, grupo que representava a farmacêutica asiática no Brasil.

“Recentemente, fomos informados de que certas cartas, supostamente assinadas por executivos da empresa, estão sendo distribuídas on-line. Gostaríamos de ressaltar, enfaticamente, que esses documentos não foram emitidos pela empresa ou por seus executivos e, portanto, negamos veementemente os mesmos”, diz a Bharat Biotech, em nota.

As duas cartas falsificadas contam com suposta assinatura de Krishna Mohan Vadrevu, diretor executivo da Bharat Biotech. Os documentos foram assinados no dia 19 de fevereiro deste ano, seis dias antes da assinatura do contrato entre o Ministério da Saúde e a Precisa.

O caso Covaxin

Entre as suspeitas de irregularidades no contrato com a Precisa Medicamentos, investigadas pela CPI, estão tentativa de recebimento adiantado, alto valor das doses e “pressão atípica” de membros do governo. As denúncias sobre o acordo foram levantadas, inicialmente, pelo servidor Luis Ricardo Fernandes Miranda, do Ministério da Saúde.

Ao Ministério Público Federal (MPF) o funcionário afirmou ter sofrido pressão de superiores para acelerar a importação da Covaxin. Ele teria relatado as irregularidades ao irmão, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que alega ter procurado o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para denunciar os problemas.

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