Eleição 2026

Anotações de Flávio indicam estratégias do PL nos estados. Veja fotos

Documento traz possíveis candidatos a governador e ao Senado, além de avaliações a respeito das candidaturas

atualizado

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“Situação nos estados”: o documento de Flávio Bolsonaro que indica a organização de palanques do PL.
1 de 1 “Situação nos estados”: o documento de Flávio Bolsonaro que indica a organização de palanques do PL. - Foto: Kevin Lima/Metrópoles

Um documento com anotações do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) indica negociações e estratégias do PL para a construção de palanques nas disputas aos governos estaduais e ao Senado.

O Metrópoles teve acesso ao material, intitulado de “situação nos estados”, junto a outros jornalistas que participaram de uma entrevista coletiva de Flávio à imprensa, na sede do PL, em Brasília.

As anotações foram feitas ao longo de reuniões mantidas por Flávio Bolsonaro com membros da cúpula do PL, como o presidente Valdemar Costa Neto, e políticos que participam da estratégia de campanha do senador.

O documento aponta possíveis candidatos a governador e a senador, e também traz avaliações a respeito das candidaturas. Nessa quarta-feira (25/2), após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, Flávio admitiu a autoria dos registros, mas ponderou que algumas opiniões escritas no material são de outras pessoas.

As anotações fazem referência, por exemplo, à chapa oficializada na terça (24/2) para as disputas no Rio de Janeiro. Em uma articulação com o PP e o União Brasil, o PL rifou o próprio líder da sigla no Senado e abriu espaço para um candidato do Centrão na disputa ao Senado.

  • Por acordo, o secretário estadual Douglas Ruas (PL) será o candidato ao governo do Rio, em uma chapa que terá o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogerio Lisboa (PP) como candidato a vice.
  • O atual governador Cláudio Castro (PL) será candidato ao Senado junto do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União).

São Paulo, maior colégio eleitoral do país, também aparece nas anotações de Flávio. Em uma das páginas, o filho de Bolsonaro escreve que é preciso “ligar para o Tarcísio”, em referência ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

No documento, são apontados questionamentos em relação à possível chapa de Tarcísio à reeleição. O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), é mencionado como um possível nome para disputar a vaga de vice-governador. “André do Prado vice?”, diz a anotação.

Investigado por lavagem de dinheiro, o atual vice de Tarcísio, Felício Ramuth (PSD), é mencionado com um “$”. Políticos do PL em São Paulo têm articulado a publicação de uma carta em apoio à indicação de André do Prado para a vice, rifando Ramuth.

Na composição dos nomes do partido ao Senado, o deputado Guilherme Derrite (PP) aparece como o único nome destacado para a disputa. A segunda vaga da chapa de Tarcísio, que será indicada pelo PL, não tem um nome fechado.

Alguns nomes são colocados ao lado como possibilidades: Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro; deputado Mário Frias; ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio; vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo; e o deputado Marco Feliciano. Veja:

Anotações de Flávio Bolsonaro sobre os possíveis candidatos ao Senado em SP.

Na terça, em fala à imprensa, Flávio Bolsonaro disse que deve se reunir com Tarcísio de Freitas nesta sexta-feira (27/2). A disputa em SP deve ser um dos temas do encontro.

A montagem das chapas nos estados é considerada uma das mais importantes etapas da campanha do senador ao Planalto. O filho de Jair Bolsonaro espera contar com “palanques fortes” para dar musculatura à sua empreitada, em especial no Nordeste — região na qual o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provável candidato à reeleição, registra os melhores desempenhos.

Flávio indicou que o PL pode ter até 11 candidatos aos governos estaduais nas eleições deste ano. O partido também tem trabalhado para ampliar as suas cadeiras no Senado — um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que avalia o domínio da Casa como mais importante do que a eleição ao Planalto.

“Ontem, eu tive várias reuniões para falar de vários estados e anotava no papel. Em algum momento, algum coleguinha de vocês tirou foto das minhas anotações, mas não eram opiniões minhas, mas sugestões de pessoas”, afirmou Flávio Bolsonaro nesta quarta.

Indefinição em Minas e “ok” no RS

O documento aponta uma indefinição no palanque de Flávio em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

O registro aponta que o indicado pelo governador Romeu Zema para a sua sucessão, o vice Mateus Simões (PSD), “puxa” Flávio Bolsonaro “para baixo”.

Abaixo da anotação, o filho de Bolsonaro indica que o mesmo efeito ocorreria se os senadores Cleitinho (Republicanos) e Rodrigo Pacheco (PSD) decidissem disputar o governo mineiro.

No documento, há uma sinalização de que o PL ainda trabalha para ter um candidato próprio no estado. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, é mencionado como possível nome. À mão, Flávio fez a seguinte anotação: “conversa com Nikolas” — referência ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que foi cotado anteriormente para disputar o governo mineiro.

A disputa ao Senado também é mencionada no documento com quatro nomes do PL, Podemos e PP: senador Carlos Viana (Podemos-MG); secretário estadual de Governo, Marcelo Aro (PP); e os deputados Eros Biondini (PL-MG) e Domingos Sávio (PL-MG). Na anotação, apenas Viana e Sávio foram destacados.

O Rio Grande do Sul, que foi mencionado por Flávio na terça como um dos estados mais avançados nas tratativas, é mencionado com um “ok”, em uma anotação feita à mão.

Ex-líder da oposição na Câmara, o deputado Zucco deverá ser o candidato do partido ao governo estadual. O documento indica que a chapa ao Senado será composta pelos também deputados Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo).

Ainda há, contudo, uma pendência em relação ao posto de candidato a vice-governador na chapa de Zucco. O documento indica que a intenção do PL é oferecer a vaga ao PP.

Pelas anotações, caberia a Onyx Lorenzoni, ex-ministro de Bolsonaro, fazer a interlocução: “Ligar para Onyx e comunicar. Oferecer vice para o PP (Covatti [Filho, deputado e presidente do partido no estado] aceita)”. Veja na imagem abaixo:

Documento indica que o ex-ministro Onyx Lorenzoni negociará posto de candidato a vice-governador do RS com o PP.

Disputa no DF

O documento de Flávio também aponta obstáculos na chapa do Distrito Federal. Na última semana, Jair Bolsonaro orientou o PL a lançar uma chapa com duas candidaturas próprias ao Senado, embaralhando os planos do atual governador, Ibaneis Rocha (MDB), que também pretende disputar a cadeira de senador.

Os nomes avalizados por Bolsonaro para a disputa ao Senado são os da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e da deputada federal Bia Kicis (PL).

Na disputa ao governo do DF, as anotações de Flávio indicam que o PL deve apoiar a vice-governadora Celina Leão (PP) como candidata. Um registro feito à mão coloca, contudo, a aliança em compasso de espera: “Se Ibaneis for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina”. Confira o registro a seguir:

Documento que trata das estratégias estaduais do PL indica impasse no DF.

Palanques no Nordeste

Anotações de Flávio Bolsonaro sobre as candidaturas na Bahia e no Ceará.

No Ceará, um dos pontos de embate entre Michelle e membros do PL, o documento de Flávio aponta que há intenção de se aliar a Ciro Gomes (PSDB), possível candidato a governador. Três nomes são apontados como possíveis candidatos ao Senado: o deputado estadual Alcides Fernandes (PL); a presidente do PL Mulher no estado, Priscila Costa; e o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União).

Na Paraíba, o documento dá como certo o apoio à candidatura do senador Efraim Filho (União) ao governo estadual. As anotações sugerem que Efraim pode trocar de partido e migrar para o PL. Por lá, a sigla de Bolsonaro deverá ter dois candidatos próprios ao Senado: o ex-ministro Marcelo Queiroga; e major Fábio.

No Piauí, não há indicação de candidato a governador. Dois nomes são elencados como possíveis candidatos ao Senado: o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira; e o presidente do PL no estado, Tiago Junqueira.

Registros do PL tratam da situação eleitoral em Alagoas.

Em Alagoas, dois nomes são cotados para o governo do estado: o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado federal Alfredo Gaspar (União), que é relator da CPMI do INSS.

Uma anotação feita à mão ao lado do nome de Gaspar indica que o parlamentar seria o “único” que pediria voto a Flávio. Ao lado de JHC, o senador escreveu que precisa conversar com ele até o dia 15 de março.

Na disputa ao Senado por Alagoas, apenas um nome está impresso na folha: Marina Cândida, esposa de JHC. À caneta, Flávio Bolsonaro incluiu uma menção, com uma interrogação ao lado, do nome de Arthur Lira, ex-presidente da Câmara e aliado de Jair Bolsonaro.

O documento aborda a disputa na Bahia. À mão, Flávio destacou o nome de ACM Neto (União) como candidato ao governo. “Conversar primeiro. Depois tratamos do palanque completo”, indica a anotação. Para o Senado, apenas o nome do ex-ministro João Roma (PL) é listado.

Em Pernambuco, também há indefinição. O apoio da sigla à Raquel Lyra (PSD), atual governadora, não está fechado. Entre os nomes que podem ser apoiados pela sigla na disputa ao Senado, Flávio elencou três: o ex-deputado Anderson Ferreira (PL); o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União); e o deputado federal Mendonça Filho (União).

Em Sergipe, os registros feitos à mão indicam tratativas para uma possível candidatura do vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, ao governo. Para o Senado, são listados os nomes do deputado federal Rodrigo Valadares — que está no União Brasil, mas a anotação indica que deve migrar para o PL —; e do Coronel Rocha. O nome do ex-senador Eduardo Amorim (PSDB) aparece riscado como possibilidade.

No Rio Grande do Norte, a anotação indica que o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias deve migrar para o PL e se lançar como candidato ao governo. Para o Senado, os nomes listados são os de Styvenson Valentim (PSDB) e Coronel Hélio Oliveira (PL).

No Maranhão, há uma indicação de que as tratativas têm sido conduzidas por Valdemar. Os nomes de Eduardo Braide (PSD) e Roberto Rocha (Republicanos) aparecem como possíveis candidatos a governador, mas Flávio escreve à mão que Rocha poderia ser candidato ao Senado. A chapa do PL ao Senado seria liderada pela deputada federal Detinha.

Outros estados

Pelo documento, o atual governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), deve contar com o apoio do PL nas eleições. Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL) aparecem como possíveis candidatos ao Senado.

Há uma anotação que sugere que o deputado Marcos Pollon (PL-MS) teria pedido dinheiro ( R$ 15 milhões) para não ser candidato. Flávio desmentiu o trecho nesta quarta: “Quero desmentir a parte do Pollon, uma pessoa que conversou comigo disse que ele pediu 15 milhões, mas isso nunca aconteceu”.

No Mato Grosso, o nome do senador Wellington Fagundes (PL) é destacado na disputa ao governo estadual: “Primeiro lugar nas pesquisas”. Três nomes são cotados para o Senado: o atual governador Mauro Mendes (União); o deputado federal José Medeiros (PL); e a deputada estadual Janaina Riva (MDB).

No Paraná, outra indefinição. Dois nomes são apontados como possibilidades para o governo estadual: Guto Silva (PSD), que seria indicado pelo atual governador Ratinho Jr.; e Sergio Moro (União). Para o Senado, o documento indica que o deputado Filipe Barros (PL) é o favorito da sigla: “Conversar. Só apoiamos ele”.

Outros dois nomes aparecem como possibilidades: Cristina Graeml, que, segundo a anotação, “atrapalharia Filipe”; e o ex-deputado Deltan Dallagnol, que é apontado como “candidato do Ratinho e primeiro nas pesquisas”.

PL enfrenta indefinição na construção da chapa no Paraná.

Também está em aberto o palanque em Goiás. Duas possibilidades são elencadas para o governo: o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e o senador Wilder Moraes (PL). Três nomes aparecem como possibilidades para o Senado: o deputado Gustavo Gayer (PL), que tem uma seta feita à mão ligando ao nome de Valdemar Costa Neto; e Gracinha Caiado (União), esposa do atual governador Ronaldo Caiado (PSD).

Em Santa Catarina, Flávio indica que haverá uma reunião na tarde desta quarta para tratar do palanque. O documento, contudo, sinaliza que a chapa deve ser liderada por Jorginho Mello, atual governador e pré-candidato à reeleição.

Os nomes do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, e da deputada federal Caroline de Toni (PL) surgem como os possíveis indicados para disputar o Senado. O nome do senador Esperidião Amin (PP) aparece riscado no documento.

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