“Alívio e medo”: policial prende homem que abusou dela na infância

A policial civil prendeu o homem 10 anos depois do abuso. Jessica Martinelli foi vítima de abuso sexual dos 9 aos 11 anos

atualizado

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Arquivo Pessoal
Imagem colorida de policial civil prendendo o abusador
1 de 1 Imagem colorida de policial civil prendendo o abusador - Foto: Arquivo Pessoal

A policial civil Jessica Martinelli foi vítima de abuso sexual dos 9 aos 11 anos por parte de um amigo da família. Ela só conseguiu denunciá-lo aos 15 anos. E ele só foi preso em 2016, 10 anos depois de cometer o crime.


Sobre o caso:

  • Aos 25 anos, Jéssica se tornou policial civil em Chapecó (SC).
  • Menos de um ano após a formação, ela prendeu o próprio abusador.
  • Aos 33 anos, escreveu o livro “A Calha”, que retrata toda sua história até o momento da prisão.

Em entrevista ao Metrópoles, a policial civil conta que os abusos só cessaram após o rompimento da amizade entre os pais e o homem. O momento em que se sentiu pronta para contar foi aos 15 anos. Ela primeiro revelou o segredo para sua irmã mais velha. Depois, os pais souberam o que tinha acontecido pelo relato da outra filha.

“Foi uma das partes mais difíceis. Lembrar o semblante dela (irmã) de quando eu contei e a dor que ela sentiu. Ainda é muito doloroso. Mas me conforta lembrar o quanto ela foi meu acolhimento e proteção durante todo o processo.”

Após o registro do boletim de ocorrência, deu-se início aos 15 anos de processo até a prisão do homem. Nesse período, ela relata que o mais difícil era ter de repetir diversas vezes os acontecimentos e, em muitos momentos, se sentir descredibilizada. Além dos percalços que teve com a delegacia, Ministério Público e o Poder Judiciário.

“Hoje, existe uma delegacia especializada para esse tipo de denúncia. Na minha época não tinha. Nós tivemos várias mudanças na legislação, a primeira delas diz respeito ao tempo da pena, ele ficou preso por apenas um ano porque na época tinha que cumprir 1/6 da pena. Hoje a pena é muito maior para estupro de vulnerável”, explica Jéssica.

Os traumas a acompanharam ao longo da vida. “Tinha problemas de aceitação com o meu corpo e uma imagem completamente distorcida do sexo. Até meus 21 anos, o sexo era uma coisa ruim, era uma coisa negativa, só fui conhecer meu corpo aos 25 anos.”

Ingresso na Polícia Civil e prisão do agressor

A ideia de entrar para a polícia veio no sexto período da faculdade de direito, quando Jéssica uniu a expectativa de ter um emprego que desse estabilidade e que gerasse admiração. O trajeto foi longo, a jovem enfrentou as dificuldades do sobrepeso nos testes físicos, fez cursinho e testou diversos concursos, até finalmente passar para a Polícia Civil.

Quando chegou o dia da prisão do homem que havia abusado dela na infância, Jéssica conta que era como se voltasse a ter 9 anos de idade.

“É como se eu tivesse voltado à infância, um misto de alívio por saber que finalmente acabou e, ao mesmo tempo, o medo. Me lembro de sentir dores assim de estômago e me sentir intimidada quando ele foi preso e passou por mim. Mas, depois, eu respirei fundo e conduzi ele até a cela. Quando bati a porta, foi como se eu finalmente encerrasse aquele ciclo de sofrimento.”
Policial Civil prende abusador
A policial civil escreveu um livro compartilhando sua história

Livro

O processo de escrever o livro “A Calha”, relata Jéssica, foi longo e difícil. Materializar todos os seus sentimentos exigiu um processo de muita coragem e determinação. A ideia da policial era ajudar outras pessoas que passaram por isso.

“Mesmo sendo uma mulher forte e reconstruindo minha vida, os abusos são difíceis de curar. Apesar de ter feito TCC (trabalho de conclusão de curso) sobre o assunto, dar palestras e trabalhar no atendimento da vítimas na delegacia, o livro me mostrou que eu  ainda tinha muitas feridas abertas.”

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