Além da prisão, Moraes mandou afastar Bacellar do cargo

Decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, também prevê o afastamento de Rodrigo Bacellar da presidência da Alerj

atualizado

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Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) - Metrópoles
1 de 1 Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) - Metrópoles - Foto: Divulgação

Decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão de Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quarta-feira (3/12), também prevê o afastamento do parlamentar do cargo diretivo na Casa Legislativa. Ele segue deputado, porém.

Bacellar foi preso pela Polícia Federal (PF) diante de “fundados indícios do vazamento de informações sigilosas que frustraram o cumprimento de operação que tinha como alvo a cúpula do Comando Vermelho (CV) e suas conexões com agentes públicos”.

“Os fatos narrados pela Polícia Federal são gravíssimos, indicando que Rodrigo Bacellar estaria atuando ativamente pela obstrução de investigações envolvendo facção criminosa e ações contra o crime organizado, inclusive com influência no Poder Executivo estadual, capazes de potencializar o risco de continuidade delitiva e de interferência indevida nas investigações da organização criminosa”, considerou Moraes.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Unha e Carne. Bacellar teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun, que resultou na prisão do deputado estadual TH Joias (sem partido) em 3 de setembro.

Segundo a corporação, há “provas robustas” de que Bacellar vazou informações sigilosas, o que teria prejudicado as investigações que têm como alvo a cúpula do Comando Vermelho (CV) e suas conexões com agentes públicos.

Os mandados — um de prisão preventiva, oito de busca e apreensão e um de intimação para medidas cautelares — foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes e fazem parte das determinações da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental das Favelas (ADPF 635), que atribuiu à PF a responsabilidade de investigar a atuação dos principais grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro.

Tráfico de armas

A Operação Zargun desarticulou um esquema de tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro, apontado como diretamente ligado às lideranças do CV no Complexo do Alemão, conforme publicou o Metrópoles, na coluna de Mirelle Pinheiro.

Foram cumpridos 18 mandados de prisão e 22 de busca, além do sequestro de R$ 40 milhões em bens. A operação teve como alvo um delegado da PF, policiais militares, um ex-secretário estadual e o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, apontado como articulador político da facção dentro da Alerj.

Compra de fuzis

Segundo as investigações, TH Joias atuava para favorecer o CV, intermediando a compra de fuzis, drogas e equipamentos antidrones. Ele também indicou a esposa de um traficante para um cargo parlamentar.

Veja outros investigados:

  • Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, tesoureiro do CV, responsável por movimentar R$ 120 milhões em cinco anos;
  • Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, liderança da facção;
  • Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário estadual, suspeito de interferir em ações policiais a pedido de criminosos;
  • Policiais militares e um delegado federal investigados por fornecer proteção e informações privilegiadas ao grupo.

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