Alckmin diz que taxa básica de juros ainda está “absurdamente alta”
Na semana passada, o Copom decidiu reduzir a Selic para 14,50% ao ano, mantendo o ciclo de cortes das últimas reuniões
atualizado
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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, nesta segunda-feira (4/5), que a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, é “absurdamente alta”. A declaração foi feita ao comentar o programa Novo Desenrola Brasil, que busca reduzir o endividamento recorde da população e prevê desconto médio de 65% nas dívidas.
O pacote de medidas foi lançado nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por ministros da área econômica.
O vice-presidente também sugeriu que o Brasil deveria avaliar o modelo do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, para o cálculo da taxa básica de juros.
“Esse é um grande problema que nós temos, essa taxa de juros absurdamente alta. Eu até mencionei há pouco que nós deveríamos verificar o modelo do Banco Central americano, o Fed, Federal Reserve, que exclui na análise da inflação para definição da taxa de juros, exclui energia, exclui alimentação, é muito mais focada. Então, é uma taxa de juros absurda. Ela está em queda, é importante destacar”, declarou Alckmin.
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a Selic para 14,50% ao ano, mantendo o ciclo de cortes após baixar a taxa de 14,75% na reunião anterior. Antes disso, a Selic permaneceu em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas.
O movimento já era esperado pelo mercado financeiro, considerando a comunicação do comitê, que indicava o início da flexibilização monetária. Analistas estimam que a Selic encerre 2026 em 13% ao ano, sem expectativa de novas altas.
Novo Desenrola
O pacote do governo foi lançado em um contexto de alto nível de endividamento das famílias brasileiras. Dados recentes do Banco Central (BC) mostram que a parcela da renda comprometida com dívidas segue elevada, pressionada principalmente pelos juros altos em modalidades como cartão de crédito e cheque especial. A taxa de inadimplência também permanece relevante, o que limita o consumo das famílias e dificulta uma retomada mais consistente da atividade econômica.
O novo programa terá duração de 90 dias e começa a operar nesta terça-feira (5/5). O público-alvo são pessoas com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105.
Os descontos nas renegociações variam de 30% a 90%, com taxa média estimada em 65%, segundo o governo federal. Além disso, haverá a limpeza do nome de quem tem dívidas de até R$ 100.
O Novo Desenrola Brasil prevê que o Fundo de Garantia de Operações (FGO) assegure crédito novo para que famílias renegociem dívidas atrasadas. Também está prevista a utilização de recursos não resgatados disponíveis na tesouraria do sistema financeiro (SVR), que pode mobilizar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões.
O programa ainda inclui a possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com regras mais restritivas. Pelas diretrizes anunciadas, os recursos só poderão ser utilizados para a quitação total das dívidas, não sendo permitidos pagamentos parciais ou uso livre pelo trabalhador.
