Alckmin diz que governo trabalhará para evitar nova sobretaxa dos EUA
Vice-presidente chamou de “descabida” conclusão de órgão americano que propõe tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
atualizado
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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta terça-feira (2/6) que o governo brasileiro vai dialogar com as autoridades dos Estados Unidos para tentar impedir a aplicação de uma nova sobretaxa sobre produtos brasileiros.
A declaração foi dada após uma reunião com ministros e auxiliares do governo para discutir um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), divulgado na segunda-feira (1º/6), que recomenda a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras.
Participaram do encontro os ministros Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social), Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e José Guimarães (Relações Institucionais), além do secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Mauricio Lyrio.
Em declaração à imprensa, Alckmin disse que o governo atuará para evitar que a recomendação se transforme em uma medida efetiva. “O governo vai trabalhar para que ela não se converta, para que ela não ocorra. O caminho é o caminho do diálogo”, afirmou.
O vice-presidente também classificou as conclusões do USTR como “descabidas” e associou a possibilidade de sobretaxação à atuação de “falsos patriotas, sabotadores, que colocam seus interesses pessoais acima do público”.
“Entendemos que é descabida a recomendação, e o presidente Lula vai trabalhar para que ela não se converta”, declarou.
Pouco antes da fala de Alckmin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) associou a iniciativa do USTR à família Bolsonaro. Durante um evento em Catalão (GO), o petista afirmou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram “pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”.
O presidente também chamou os filhos de Bolsonaro de “traidores” e “vendilhões da pátria”. Na semana passada, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, participaram de reuniões com auxiliares do presidente americano e posaram para fotos ao lado do republicano.
Na entrevista à imprensa, Geraldo Alckmin e os ministros Dario Durigan e Márcio Elias Rosa também associaram o relatório a ações da família Bolsonaro. O vice-presidente afirmou que “sempre que o diálogo [entre Brasil e EUA] avança, sabotadores agem contra o país”.
O parecer do USTR é resultado de uma investigação aberta em julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O órgão analisou atos e políticas adotados pelo governo brasileiro que, segundo a avaliação americana, restringiriam o comércio dos EUA.
No documento, o USTR recomenda a aplicação da sobretaxa sob o argumento de que o Brasil adota práticas comerciais consideradas “irrazoáveis”. Ao mesmo tempo, a proposta prevê exceções para produtos considerados estratégicos, como carne, frutas, café, aeronaves e minerais de terras raras. A eventual sanção não entra em vigor imediatamente e ainda depende de etapas e consultas públicas até 15 de julho.
Entre os pontos citados pelo órgão americano estão decisões judiciais brasileiras e multas aplicadas a empresas de tecnologia dos Estados Unidos. O relatório também faz críticas ao Pix, que, na avaliação do governo americano, colocaria em desvantagem companhias dos EUA que oferecem serviços de pagamento eletrônico.
Mudanças no Pix não estão em debate, afirmam ministros
Os ministros Dario Durigan e Márcio Elias Rosa descartaram, durante declaração à imprensa nesta terça, mudanças no Pix para atender às conclusões do USTR. O ministro da Fazenda afirmou, ainda, que, “mais uma vez, a família Bolsonaro faz um trabalho contrário” ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.
“O Pix é evidente que está fora de debate. É o maior símbolo da nossa soberania financeira. É um orgulho para o nosso povo, porque a gente criou uma tecnologia que hoje é cobiçada por outros países, porque é gratuito, é intuitivo, e interesses particulares se sentem contrariados”, disse Dario Durigan.
O ministro da Indústria e Comércio declarou que o governo não vai permitir jamais qualquer tema caro à soberania nacional, como é o Pix, fique na mesa de negociação”.
“Não está na negociação, não há hipótese para isso. E nós vamos sempre possível demonstrar não atendo pro governo norte-americano orçamento do povo brasileiro qual a linha de esclarecimento e defesa do Brasil”, disse Márcio Elias Rosa