Água suspeita: dobram casos de diarreia e vômito em UPAs do Rio

Companhia Estadual de Águas e Esgotos detectou a presença de geosmina, substância orgânica produzida por algas, em amostras coletadas

atualizado 08/01/2020 11:13

Reprodução

Entre 20 de dezembro de 2019 e o último dia 5 de janeiro, as unidades de pronto atendimento (UPAs) de Santa Cruz e de Campo Grande, bairros da zona oeste do Rio de Janeiro, registraram, respectivamente, 783 e 588 casos de diarreia, gastroenterite e vômitos de origem infecciosa ou não. São informações do Extra.

A título de comparação, as direções dessas unidades informaram, nesta quarta-feira (08/01/2020), que entre 20 de dezembro de 2018 e 5 de Janeiro do ano passado foram 282 e 378 casos, respectivamente. Ou seja: os números  mais que dobraram. As suspeitas recaem sobre a ingestão de água contaminada.

Porém, em nota, a Secretaria Estadual de Saúde faz uma ressalva: “É precoce associar o aumento na procura de pacientes com estes sintomas à água contaminada, principalmente após as festas de fim de ano”. Por sua vez, a Secretaria Municipal de Saúde diz que “diarreia e vômito são sintomas e não doenças”.

Sintomas
“Pacientes com diversas patologias podem apresentar os sintomas e não é correto afirmar que todos os atendimentos na rede municipal a pessoas com diarreia e vômito se deram pela ingestão de água supostamente contaminada”, diz a nota.

“A percepção de aumento de casos de gastroenterite, doença que não tem notificação obrigatória, no verão e após as festas de fim de ano, é normal, principalmente em função do consumo de alimentos de procedência duvidosa ou com armazenamento inadequado”, completa.

Inspeção
A Subsecretaria de Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses também informou que é responsável pelo monitoramento da qualidade da água de abastecimento distribuída pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) e inspecionou, nessa terça-feira  (07/01/2020), pontos de entrada de água em oito bairros: Paciência, Campo Grande, Santa Cruz, Olaria, Brás de Pina, Ramos, Humaitá e São Cristóvão.

“Os técnicos coletaram 18 amostras para a análise microbiológica que está sendo feita no Laboratório Municipal de Saúde Pública (Lasp). Os resultados saem na tarde desta quarta”, informou a subsecretaria, por meio de nota.

Sinal de alerta
O odor forte e a tonalidade escura da água que chegou nos últimos dias às casas de pelo menos 20 bairros do Rio e da Baixada acenderam um sinal de alerta. Em um comunicado divulgado nessa terça à tarde, a Cedae informou que detectou a presença de geosmina, substância orgânica produzida por algas, em amostras coletadas ao longo de sua rede de abastecimento.

A empresa garantiu que não há risco à saúde da população, mas especialistas recomendam o consumo de água mineral ou fervida nos locais onde há alteração do padrão.

A Prefeitura do Rio confirmou que registrou um aumento do número de pacientes com diarreia e vômito em suas unidades de saúde, porém frisou que não é possível relacionar os casos a um problema no abastecimento da Cedae.

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