Advogados federais: tentar cortar salários é “jogar pra plateia”

Nesta terça (24/03), presidente da Câmara, Rodrigo Maia, defendeu redução de até 20% dos salários dos servidores

atualizado 24/03/2020 18:09

O presidente da Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais (Anafe), Marcelino Rodrigues, rebateu nesta terça-feira (24/03) fala do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na qual o parlamentar pede para que os Três Poderes avaliem uma redução de até 20% dos salários dos servidores.

Ao Metrópoles, Rodrigues afirmou que a medida vai na contramão do que se exige da categoria em momento tão grave quando o da pandemia de coronavírus.

“A gente fica até de alguma forma triste ou preocupado, porque dentro dessa perspectiva de que tem um acréscimo de trabalho, a gente vê algumas propostas de medidas de corte de salário de servidor, que vai na contramão, porque fica parecendo que o servidor não tá trabalhando”, disse.

Mais cedo, em entrevista à Rádio Bandeirantes, Rodrigo Maia afirmou que a remuneração total de servidores dos Três Poderes representa cerca de R$ 200 bilhões por ano. Segundo o presidente da Câmara, a economia mensal com a medida seria de até R$ 3,6 bilhões.

Para Marcelino Rodrigues, no entanto, a redução salarial dos servidores teria um “impacto mínimo” na economia.

“Se a gente for ver, se fizer esse corte, o impacto é mínimo diante do que a gente vai precisar efetivamente pra enfrentar esse momento. A gente tá falando de R$ 200 bilhões, R$ 300 bilhões, que são necessários para injetar na economia. Com o corte na categoria dos servidores, não chega a poucos bilhões, se chegar. Então, acaba sendo mais jogar para a plateia, querer dar uma satisfação em cima disso”, disse o presidente da Anafe.

Aumento de demanda
Nessa segunda-feira (24/03), o governo aumentou a demanda de advogados da União ao dar um prazo de 48 horas e outro de 24 horas para a Advocacia-Geral da União (AGU) avaliar processos de compras voltadas ao combate do novo coronavírus e para processos de compra direta, respectivamente. Antes, o prazo era de até 15 dias.

O objetivo da medida é dar celeridade a processos de compras em meio ao estado de calamidade pública, decretado na última semana, diante do avanço da Covid-19 no país. Segundo Rodrigues, ao menos 80% dos servidores do setor estão fazendo home office.

O presidente da Anafe garante que os advogados da União estão preparados para cumprir a decisão do governo, mas que medidas de corte salarial geram “instabilidade”.

“Isso gera um desconforto para o servidor, que já tá num período de quarentena, dentro de casa, com suas obrigações, tendo que trabalhar, e ainda vem esse tipo de situação gerando mais instabilidade”, declarou.

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